Bem-vindos, amigos lagartos!
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Ao intervalo do jogo com o Braga tinham deixado um vídeo na cabine do árbitro, a passar as imagens de lances do primeiro tempo, repetidamente e sem poder ser desligado. Foi um mero lapso: as imagens dos lances polémicos se destinavam exclusivamente à análise interna dos seus técnicos; e a reprodução no balneário da equipa de arbitragem terá ocorrido por por engano.
Ontem decoraram as paredes do balneário do adversário com recortes do jornal oficioso, a exaltar as conquistas do clube, mas não foi canalhice: as imagens estavam lá para servir os visitantes. Não esses visitantes, que ocupam o balneário, mas os outros, os visitantes do estádio.
Ligaram o ar condicionado do balneário com a temperatura no máximo, e esconderam o comando, mas não foi grunhisse. Isso era no tempo da creolina. Aquela era apenas a temperatura recomendada para aquela zona.
Se calhar, depois de marcarem, esconderam as bolas, e os cones, à volta do campo para tornar a coisa mais divertida, como antes faziam com bolas de golfe. Se calhar não roubaram a toalha ao guarda-redes, levaram-na para a trocar por uma lavada. Se calhar colocaram cortinas, e colunas de som, em cima dos adeptos adversários, não para abafar os seus cânticos, mas para os proteger dos filhos da puta dos outros. Sorte a deles, que não foram obrigados a ficar a despirem-se a descalçarem-se à entrada, para entrar só na segunda parte. Se calhar foi por lapso, a pensar que era noite de S. João, que foram estoirar foguetes durante a madrugada para a frente do hotel.
É isto. Palermo continua Palermo, só mudou o padrinho. Só que havia quem não soubesse. Quem pensasse que a grunhisse e a canalhice era só para os outros. Bem-vindos a Palermo, amigos lagartos!