Benfica 0 - Bayer Leverkusen 1
Está amaldiçoada, a participação do Benfica nesta Champions, marcada pelo pecado original da desastrosa derrota no arranque, com o Qarabag, há quase dois meses.
Esta noite era decisiva para a inversão dessa maldição. Todos os sentiam. Mourinho também, e pedira aos adeptos uma presença em força. Que jogassem também. Os adeptos nunca falham, e lá estivemos 58 mil, a acreditar. Enquanto foi possível. Mas nunca exactamente a jogar. Na verdade nunca saíram das bancadas grandes empurrões ...
O Benfica entrou em campo com o onze habitual, sendo que a variabilidade na ala esquerda é já habitual. A novidade foi Barreiro, à frente do meio campo, aquele que, para Mourinho, é o seu lugar. A pressionar, e a dar profundidade, no que Sudakov, hoje de novo deslocado para a ala esquerda, não tem respondido.
E entrou a jogar bem, dando continuidade à melhoria que tinha mostrado na segunda parte de Guimarães. Não sendo exuberante, não atingindo grande brilhantismo colectivo nem que, para além da de Rios (finalmente a confirmar-se), tenha havido grandes exibições individuais. Mas dominando claramente o jogo e criando muitas oportunidades para marcar.
O Bayer Leverkusen, confirmou ser uma equipa que troca bem a bola (sob a batuta do nosso Grimaldo, o capitão, mas também o patrão) e rápida e assertiva a desdobrar-se para o ataque, sem confirmar as fragilidades defensivas que lhe eram apontadas. E deixou claro desde o primeiro minuto que vinha à procura do empate. Era tudo o queria levar do jogo.
A primeira parte acabou por ser um confronto entre uma equipa virada para a frente, a querer ganhar, e com dinâmica de vitória - o Benfica -, e outra a virada para si própria, a segurar a bola, e a adormecer o jogo - o Bayer. Só o Benfica procurou o golo, que poderia ter encontrado por quatro ou cinco vezes. Rematou 11 vezes, quatro delas na baliza, e duas na barra. A equipa alemã apenas por uma vez conseguiu chegar à área de Trubin, num lance criado e finalizado pelo velocíssimo Poku, com um remate ao lado da baliza.
Não fosse esta uma Champions amaldiçoada e Benfica teria saído para o intervalo a ganhar por números que garantiriam desde logo uma vitória irreversível.
A segunda parte arrancou no mesmo ritmo, mas mais amaldiçoada ainda. Nos primeiros dez minutos Pavlidis falhou três golos cantados. Na primeira vez, logo aos 2 minutos, não foi só maldição. A tentação para fintar o guarda-redes, e entrar com a bola pela baliza dentro, em vez de a rematar de imediato para a baliza, não é maldição. É pecado capital!
A maldição ficaria completa em poucos minutos. Esgotavam-se os primeiros 10 minutos da segunda parte quando, finalmente, desta vez depois de virar o Barreiro, o árbitro italiano se dignou a puxar do amarelo para Tapsoba, antigo jogador vimaranense. Que, no minuto seguinte, voltou a abalroar o cabo-verdiano do Benfica, desta com o cotovelo e dentro da área (na imagem). Penálti, e expulsão - não poderia ser de outra maneira. Mas pôde - árbitro e VAR fizeram que não viram nada. Logo a seguir, num raro contra-ataque, Patrick Schick, que acabara de entrar, recebeu a bola à entrada da área, sobre a esquerda, e chutou, para o primeiro remate à baliza da equipa alemã, obrigando Trubin a uma grande defesa. A bola sobrou para a frente de Dahl que, pressionado pelo lateral direito contrário, Arthur, não teve discernimento para mais que, de cabeça, devolver a bola ao avançado do Bayer, numa assistência primorosa para o golo do checo.
Faltava meia hora para o fim do jogo. Mas maldição é assim. E porque o Benfica a sentiu, mas também porque o árbitro italiano permitiu que a equipa alemã impedisse que continuasse a haver jogo, foi como se tivesse acabado ali, ao 65 minutos.
No fim, fica mais uma derrota. A mais injusta de todas. E o fim das aspirações europeias para esta época.