Benfica 1 - Sporting 1
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Ambiente de dérbi na Luz. É diferente o ar que se respira na Catedral em dia de dérbi, sem dúvida. Começa logo pelo aparato policial. Parece que em vez de estarmos a caminho de um espectáculo de futebol vamos entrar num qualquer campo de batalha.
A coluna de adeptos que vem desde o Campo Grande até à Luz mais parece uma manada de animais perigosos enjaulada. Rebentam petardos por todo o lado. Portões que habitualmente estão abertos ficam fechados, para garantir que ninguém se cruza com a jaula. Centenas de adeptos ficam ali, pregados aos portões fechados, vendo o inimigo do lado de dentro.
Não é bonito. É mesmo muito feio!
Minutos - ou horas - depois, lá dentro é outra coisa. A águia Vitória voa, e os lagartos vaiam. Os 65 mil benfiquistas não perdoam. Isso não se faz ao nosso símbolo vivo!
A bola começa a rolar, depois de uma pequena espera para que dissipasse o fumo que chegara do topo sul. E os jogadores do Sporting desataram a correr para cima dos adversários, pelo campo todo. Parecia que nem queriam deixar respirar os do Benfica. Que, por não conseguirem respirar, ou por estranha surpresa, desataram a fazer asneira.
José Mourinho tinha escalado aquele que é, agora, o 11 habitual. Os mesmos, e tudo na mesma. Quatro defesas, cinco no meio campo e Pavlidis lá à frente. Mas os cinco do meio campo nem conseguiam ver-se livres do bafo dos adversários, nem conseguiam acertar dois passes seguidos.
Não se pense que os do Sporting entraram a exercer uma pressão asfixiante, a obrigar os do Benfica a errar. A obrigar ao chamado erro forçado. Não. Não foi nada disso, e foi por não ser nada disso que as bancadas se enervaram, enervando ainda mais os já enervados jogadores.
Os jogadores do Sporting corriam a todas as bolas, mas era só isso. O golo, logo aos 12 minutos, é a melhor prova disso. Numa saída de bola apenas estúpida, sem nenhuma pressão por aí além que não a de acorrer a todas as bolas, Trubin, António Silva e Enzo Barrenechea trataram de oferecer o golo ao Pedro Gonçalves.
Na fotografia ficou o trinco argentino, mas António Silva já tremia como varas verdes e foi Trubin quem começou e acabou. Começou com o passe para o central, e acabou sem que tivesse feito tudo para evitar o golo.
E assim se passou mais de metade da primeira parte. Os jogadores do Sporting ganhavam a grande maiorias das bolas divididas, chegavam sempre primeiro ... e corriam que nem desalmados. Até que, aos 27 minutos, na primeira vez que o Benfica acertou mais de dois passes seguidos, construiu o primeiro lance de futebol com princípio, meio e fim que o jogo até então teve, e no primeiro remate, o Benfica marcou e chegou ao empate.
A bola chegou ao Richard Rios, no meio, deu-a para a entrada de Dedic, na direita, que centrou forte para o segundo poste, onde Sudakov entrou a marcar.
A partir daí o jogo mudou. Passou a ser outro. O golo não fez apenas crescer o Benfica, reconciliou as as bancadas com os jogadores e acordou a Luz, mesmo sem inferno. De tal forma que, ao intervalo, o resultado poderia até já ser outro.
A supremacia do Benfica acentuou-se na segunda parte. De uma forma tão evidente que ficou a ideia que, depois de ter tido medo de perder, o Benfica teve medo de ganhar.
Rui Borges tentou segurar o jogo e o empate, entrando bem cedo no jogo das substituições. Tentou, não conseguiu já dar a volta ao jogo, mas segurou o empate que, mostrou-o em toda a segunda parte, era já o objectivo. Mourinho tentou, mas já tarde. Mais tarde ainda porque o Prestiani foi expulso - pelo VAR, quando o Benfica carregava e impediu Catamo de sair para um contra-ataque perigoso - cinco minutos depois de ter entrado, obrigando o Benfica a disputar os 7 minutos da compensação com menos um jogador.
Nunca se saberá como seriam aqueles 7 minutos finais, sem a expulsão, e com as alterações que Mourinho promoveu. Tal como nunca se saberá como seria se tivesse mexido mais cedo na equipa. E em especial se tivesse em tempo oportuno arriscado nas substituições de Enzo e Barreiros, sempre em rendimento comprometedor.
Só se sabe que ficou mais difícil a vida neste campeonato. Que Hjulmand é inimpuntável. E que o Maxi Araujo é mesmo "ranhoso".