Benfica 2 - Alverca 1
Em plena crise nacional, em resultado do comboio de tempestades que tem assolado o país, em dia de eleições, e noite eleitoral, o Benfica recebeu o Alverca na Luz, com menos de 50 mil nas bancadas, na verdade pouco mais de 49 mil, a mais fraca casa da época.
Todos os jogos são difíceis para o Benfica. E quando o não são a equipa encarrega-se de os tornar. Não sei bem se este era à partida um jogo difícil; sei que o foi, e sei que, se não o fosse, o Benfica tratou de o tornar muito difícil.
A equipa - com a novidade de Lopes Cabral na lateral direita da defesa, e de Rafa no lugar de Sudakov - entrou bem. Decidida e pressionante. Sol de pouca dura. Marcou - excelente execução de Rafa (o toque de classe que faltava) no remate defendido pelo Matheus Mendes (defendeu tudo, e por isso o meu melhor em campo), na recarga de Schjelderup - cedo mas rapidamente se acomodou e baixou a velocidade, a pressão, a intensidade e até a concentração, acabando por dar 45 minutos de avanço ao Alverca. Que, sem grande surpresa, deve até dizer-se, empatou um quarto de hora depois.
É certo que, mesmo assim, o Benfica poderia ter saído a ganhar para o intervalo. Dispôs, ainda assim, de oportunidades para isso. Ao intervalo já o Matheus Mendes era forte candidato a melhor em campo, e já se podia falar de mais uma noite de desperdício de Pavlidis e seus pares. Mas também é certo que o Chiquinho - mais um bom jogador que, depois de andar sem sucesso pelos principais campeonatos europeus (Premier League La Liga), o Alverca recuperou - pintou a manta e fez a cabeça em água ao Lopes Cabral. Que ainda não deve saber a quem terá que agradecer por ao intervalo ele ter ficado no balneário.
Era claro que para ganhar o jogo o Benfica teria que surgir bem diferente na segunda parte. Os primeiros minutos não auguravam nada de bom, mas rapidamente, com outra velocidade e outra intensidade, a equipa empurrou o adversário para a sua área e passou a asfixiá-lo, lá atrás.
Cheirava a golo. Alguma vez todo aquele desperdício teria de acabar. Alguma vez o árbitro haveria de assinalar o penálti a que sucessivamente fazia vista grossa.
O golo que se cheirava chegou precisamente quando se esgotava o primeiro quarto de hora. Festejou Pavlidis, festejamos todos mas, sem que ninguém percebesse por quê, a bola não ia ao centro. Largos minutos depois o árbitro anunciava a anulação do golo, por Pavlidis ter tocado a bola com a mão. Afinal, o golo que há tanto se aguardava em função daquele sufoco todo, apenas serviu de bandeira branca ao Alverca. Aquela longa interrupção só serviu para desligar o interruptor do sufoco, e ligar, no máximo, o da ansiedade.
Os remates sucediam-se - foram 29, nunca o Alverca tinha consentido tanto - ao ritmo do desperdício. O árbitro continuava a fazer vista grossa a faltas, dentro e fora da área de rigor do Alverca. O VAR, um tal João Casegas, que viu tão bem a tal mão do Pavlidis, nunca mais viu nada. Minto: viu que foi fora da área, uma falta bem lá dentro, desta vez sobre o Barreiro, que mais uma vez o Bruno Costa não quis ver.
Até que, ao minuto 85, e quando o Alverca já respirava, Mourinho, que apenas - e já tarde, se bem que se compreenda - tinha lançado Sudakov, por troca com o Lopes Cabral, com Prestiani a ficar com toda a ala direita, lançou Bruma e Anísio para o lugar dos dois alas. Bruma, para nada - mais uma vez não acrescentou absolutamente nada. Anísio, o miúdo de 17 anos, para de imediato, exactamente como naquele minuto 84 da sua estreia, com um soberbo golpe de cabeça ao cruzamento do Dahl, marcar o golo.
Que tanto fugira, e que garantia uma vitória arrancada a ferros!