Benfica 2 - Casa Pia 2

A jornada de benfiquismo de ontem teve hoje por prémio um clássico na Luz. Os mais de 56 mil nas bancadas - pois é, a fasquia começa a baixar dos 60 mil -, os 94 mil que ontem votaram, e os outros milhões de benfiquistas espalhados pelo país e pelo mundo que fazem do Sport Lisboa e Benfica um dos maiores clubes do universo merecem, e exigem, RESPEITO.
O jogo desta noite, na Luz, da 11ª jornada, com o Casa Pia, é todo um clássico.
O adversário estacionou o autocarro à frente da sua baliza. Duas linhas de cinco, juntinhas, entre as linhas que marcam as duas áreas, a grande e a pequena. Clássico!
O Benfica entrou bem no jogo, chega à vantagem, e começou a baixar a intensidade. Clássico!
Com a passagem dos minutos, à medida que o jogo caminha para o fim, os jogadores começam a perder concentração. As decisões dos árbitros complicam-se, e a perda de concentração vai-se agravando, atingindo o climax já depois do minuto 90, e a vantagem esvai-se no período de compensação. Clássico!
Esta noite, na Luz, o Benfica começou a desmontar o autocarro do Casa Pia relativamente cedo. Aos 16 minutos marcou, depois de Rios já ter enviado um remate ao poste. Num golo com assistência (Plavidis) e finalização (Sudakov) espectaculares, trabalhadas dentro da cabine do autocarro. O Benfica ultrapassava os 80% de posse de bola, e o Casa Pia não ligava dois passes seguidos. A excepção aconteceu durante três ou quatro minutos, ali por volta da meia hora.
O Benfica que, como sempre, tinha entrado com um onze muito perto do habitual - com Otamendi de fora, a cumprir castigo pelo quinto amarelo (Palhinha só há um!) pedido em Guimarães (como Rios hoje o pediu, também para limpar antes do jogo com o Sporting), substituído por António Silva e, com Dedic regressado de lesão, com Aursenes na ala esquerda - entrou para a segunda parte com Prestiani a entrar precisamente para o lugar do norueguês, transferido para o lugar de Enzo, que tinha durante a primeira parte dado indicações de não estar em condições para prosseguir no jogo.
Se a ideia era voltar a espevitar o jogo, não resultou. De resto, Prestiani não está a resultar. É cada vez mais parra, e cada vez menos uva. Ainda assim não demorou mais a marcar que na primeira parte. Antes de expirar o primeiro quarto de hora, de penálti, Pavlidis marcou o segundo. O chamado golo da tranquilidade.
Que seria, não tivesse o árbitro, o lagarto Gustavo Correia, cinco minutos depois, inventado um penálti. Inacreditável. Tão inventado, e tão inacreditável que, na Luz - e por todo o lado - se tinha por inevitável a intervenção do VAR, a corrigir o destempero do lagarto. Mais inacreditável ainda: do VAR, nem sinal de vida!
Cartões amarelos, distribuídos a torto e a direito, reforçaram a instabilidade. E tranquilidade do segundo golo desaparecia de repente, como fumo.
Lembramos-nos então que, ontem, o Sporting trouxera três pontos dos Açores, graças a um golo no último minuto dos descontos, depois de o árbitro ter transformado um pontapé de baliza, a favor do Santa Clara, num canto a favor do Sporting. O árbitro João Gonçalves, e o assistente Ângelo Pinheiro, não viram o que toda a gente viu. Que o Quenda rematou a bola para fora, sem que ela tocasse em quem quer que fosse.
E veio-nos à memória que o campeonato da época passada foi precisamente decidido no dia 12 de Abril quando, nos Açores, numa das mais escandalosas arbitragens da época, o árbitro Cláudio Pereira oferecia os três pontos ao Sporting. E, exactamente como hoje, no dia seguinte na Luz, o árbitro António Nobre assinalava um penálti (com que o Arouca empatava 2-2, ironicamente o mesmo resultado de hoje), tão inacreditável como o de hoje, então por Otamendi "ter rasteirado o adversário com a cabeça". Também um clássico!
O VAR, que ontem nos Açores não pôde dizer ao João Gonçalves que o golo não poderia ser validado. Que há sete meses não quis dizer ao António Nobre que ninguém consegue rasteirar ninguém com a cabeça, como hoje não quis dizer ao Gustavo Correia que a bola bateu na barriga do António Silva, caiu-lhe para a coxa, e que daí ressaltou para lhe tocar na mão, não é um instrumento ao serviço da verdade desportiva. É simplesmente um instrumento ao serviço da manipulação de resultados!
Trubin defendeu o penálti, mas não havia maneira de escrever direito por linhas tortas: inacreditavelmente, Tomás Araújo, o primeiro a chegar à bola excelentemente defendida pelo guarda-redes do Benfica, ao tentar enviá-la pela linha de fundo chutou-a com força para dentro da baliza.
O terceiro golo até acabaria por chegar, por Barreiro, depois um minuto em campo. Foi celebrado nas bancadas como a circunstância merecia. Foi anulado, por fora de jogo, e a tranquilidade não voltou.
Era quase inevitável que um erro qualquer desencadeasse uma sucessão de outros, como num dominó. Aconteceu a meio do meio campo, no primeiro dos quatro minutos de compensação, e foi obra de Richard Rios, já depois de se ter feito ao tal amarelo. A cadeia propagou-se para dentro da área benfiquista, e tocou a todos. Trubin incluído.
No primeiro dia da nova presidência de Rui Costa, o Sporting é presenteado com três pontos nos Açores, o Porto com colinho em Famalicão, e o Benfica é decidamente atirado para fora da estrada do título.