Benfica 3 - Estoril 1
Noite de chuva na Luz, como sempre com casa cheia. Ou bem perto disso, ali à beirinha dos 60 mil. E também noite de um grande jogo. Ou bem perto disso, também.
O Estoril é uma das poucas boas equipas do campeonato nacional, que pratica um futebol de qualidade como poucas. Três grandes, e quarto grande, à parte sobram os dedos de uma mão para encontrar equipas que joguem à bola. E ainda assim, dentro dessas, sobressaem claramente o Estoril e o Gil Vicente.
Já o tinha mostrado no Dragão, com um banho de bola ao Porto, numa derrota (0-1) de todo imerecida, e na Amoreira, no jogo com o Sporting, noutra derrota, por igual expressão, ambas com dedo das arbitragens. Curiosamente, no confronto com os quatro grandes foi, no jogo que ganhou ao Braga, que fez a exibição menos exuberante.
O Benfica entrou com algumas alterações no onze. Para o lugar de Enzo Barrenechea, lesionado no treino - que provavelmente lhe valerá o afastamento por vários jogos - avançou Manu, a quem falta ainda, e naturalmente, algum ritmo. No aquecimento lesionou-se António Silva, que tinha acesso directo ao onze para este jogo, ficando o Tomás Araújo impedido de descansar. Prestiani - o diamante que entusiasma as bancadas, mas que continua com muito por lapidar - jogou na ala direita, com Aursnes, à beira do esgotamento, no banco. Do outro lado, como quase sempre, Sudakov. Peixe fora de água. Regressado em Braga, Barreiro lá continuou nas costas de Pavlidis, hoje de hat-trick.
O Estoril entrou com os seus craques - Jandro, Begraoui, João Carvalho, Guitane e Holsgrove - e decidido a pegar no jogo. E pegou. Na primeira metade da primeira parte só deu Estoril. O Benfica, num registo de bola ganha bola perdida, falhava passes, não definia bem os lances e não conseguia conter as transições do Estoril. E assim, quando parecia que iria pegar no jogo, que daquela é que era, lá voltava o Estoril à mó de cima.
A partir do equador da primeira parte o jogo começou finalmente a mudar de figura. De um momento para o outro o Benfica passou a conseguir acertar a pressão, a errar menos passes, a dar fluidez e alguma intensidade ao seu futebol, e a criar as primeiras condições para marcar.
Depois, desta vez valeu o VAR.
O árbitro Anzhony Rodrigues, que já tinha feito vista grossa a um penálti sobre o Prestiani, voltou a assobiar para o lado num lance para dois penáltis. Primeiro por carga sobre Otamendi, logo seguido de corte da bola com a mão. O VAR optou pelo segundo, que o Pavlidis converteu, com categoria, nove minutos depois, aos 34!
O Benfica detinha o domínio completo do jogo, era dono da bola. Não era uma exibição de luxo, que isso continua fora das possibilidades da equipa, mas era a suficiente para dominar o jogo e o valoroso adversário. Sob todos os aspectos: posse de bola a subir para os 65%, remates a sucederem-se, onze ao todo. Mais ainda, muitos mais, os que ficavam bloqueados na linha defensiva canarinha.
Com alguma naturalidade, já no período de compensação, a passe de Barreiro, Pavlidis pintou uma obra de arte. Um golo fantástico, que naquela altura, em cima do intervalo, e naquela conjuntura de quem tinha virado o jogo do avesso, seria o verdadeiro golo da tranquilidade.
Só que, mais uma vez, lá veio o tiro no pé. Na resposta, na única vez em que, em quase meia hora, chegava à área de Trubin, o Estoril marcou. Por acaso também um belo golo, do João Carvalho. Que festejou, e bem!
As bancadas perceberam o perigo daquele golo, que ficou bem à vista logo no arranque da segunda parte. E o fantasma dos empates na Luz foi-se sentando nas bancadas.
Valeu que o Estoril não foi capaz de repetir os primeiros vinte minutos. Teve mais bola, mas não conseguiu fazer mais com ela. Pelo contrário, fez muito menos. Ainda assim, o fantasma só abandonou as bancadas com o terceiro golo de Pavlidis, faltavam pouco mais de 10 minutos para o jogo acabar. Pouco antes Mourinho tinha feito as primeira substituições, retirando Sudakov (é uma pena que, o grande jogador que se vê em cada pormenor, renda tão pouco) e Prestiani (outra pena!) para estrear a primeira contratação de inverno, o Sidny Lopes Cabral, e arriscar em Aursnes, para segurar o resultado.
E o jogador que veio do Estrela da Amadora não perdeu a primeira oportunidade para uma boa primeira impressão, e construiu o golo com que Pavlidis chegaria a mais um hat-trick.
PS: Acabou por me faltar - falta imperdoável - referir a ovação a Pizzi, quando entrou em campo, aos 77 minutos, a mostrar que os benfiquistas não esquecem os seus heróis. O fantasma ainda estava sentado na bancada, e até ele aplaudiu. Talvez por isso tenha sido ainda maior que a destinada a Pavlidis, 10 minutos depois, quando saiu para os aplausos e a entrada de Ivanovic.