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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Boca calada

Com a mão na boca, seleção alemã protesta contra Fifa

Ao quarto dia parece que agitação começa a ceder lugar à bola Mundial do Catar. A não ser que Marcelo, que já lá está, dê um safanão naquilo tudo. Afinal, depois do "esqueçamos isso", e do dizer que não disse, que sempre diz quando lhe saltam em cima, o Presidente avisou que iria lá para partir a loiça toda.

No entanto, antes de tombar com o safanão do Japão, ainda a selecção da Alemanha deu mais um safanão na FIFA, com os jogadores pousados para a fotografia com a mão a tapar-lhe a boca. Calados, também.Talvez por isso o árbitro não tivesse dado início ao jogo sem, antes, ir confirmar se a braçadeira de capitão de Neuer estava nos conformes, se não era subversiva, igual à da ministra do interior, Nancy Faeser, na bancada (uma boa sugestão para Marcelo!).

Sabe-se lá se o que aconteceu depois não foi por vingança dos deuses da FIFA.

Pois é. Depois da surpresa da véspera, com a Argentina, foi a vez da Alemanha. Perdeu com o Japão, pelos mesmos números, e ainda com a coincidência de também ter marcado primeiro, e de penálti. Naquele que foi o melhor jogo até ao momento.

Teve de tudo o que faz de um jogo de futebol um espectáculo único. Foi rico em futebol, com aquele futebol geométrico e cerebral da equipa alemã, teve génio individual, teve emoção ... e teve a lição de estratégia do seleccionador japonês. Que, depois de mais de uma hora de completa subjugação ao superior futebol alemão, tendo sobrevivido ao resultado pela manifesta infelicidade alemã na concretização, resolveu lançar na equipa a criatividade dos jogadores que tinha no banco para dar a volta ao jogo, e ganhá-lo. Contra todas as expectativas.

Percebeu-se que essa era a estratégia. Às vezes não corre bem. Desta correu. E contribuiu para que, mais ainda que para a surpresa, para fazer deste um grande jogo de futebol.

É arriscado dizer que este foi o melhor quando, no outro jogo deste grupo E, a Espanha faz uma exibição de luxo do seu tiki-taka, premiada com uma goleada histórica de 7-0. Mas não é, na minha maneira de o ver, uma grande exibição de uma das equipas, com eficácia total e muitos golos, que fazem o melhor jogo. Faltou adversário. A Costa Rica conseguiu ser ainda pior equipa que a selecção da casa tida, depois do jogo de abertura, como a equipa mais fraca da competição. Nem Keylor Navas se salvou. Até ele, um dos maiores guarda-redes das últimas décadas, foi penoso. 

Se o golo é o sal do jogo, este foi apenas salgado. Faltou-lhe grande parte dos condimentos.

Aos restantes dois jogos do dia, do grupo F, faltou ainda mais. Ao Croácia- Marrocos faltou tudo, incluindo golos. Mais um 0-0, e pouco futebol, com responsabilidades repartidas. A selecção de Marrocos chegava com o rótulo de surpresa, de equipa sensação. A da Croácia com o de vice-campeã do Mundo. Nem uma, nem outra, fez jus ao estatuto.

Ao Bélgica-Canadá (1-0) faltou Bélgica. Faltou arbitragem. E faltaram as vedetas principais. As (várias) da Bélgica, e a (única) do Canadá.

Teve mais Canadá (de Steven Vitória e Eustáquio), que merecia outro resultado. Que não conseguiu porque a pior arbitragem até ao momento - um árbitro, Janny Sikazwe, da Zâmbia, que tem cadastro, e com um VAR da Venezuela, onde a tecnologia não existe - lhe negou dois penáltis. Porque a estrela da equipa, Davies, do Bayern, para além do fraco rendimento em todo o jogo, esteve desastrado na marcação do único penálti que o VAR conseguiu ver, logo no início do jogo. O árbitro nem esse vira. Porque faltou engenho e arte aos seus jogadores para acertar na baliza nos vinte e dois remates efectuados, para concretizar, uma que fosse, das muitas oportunidades de golo que a equipa criou. E, finalmente, porque Steven Vitória falhou a intercepção que permitiu o golo de Batshuayi, num dos dois três remates belgas à baliza. Tantos como, afinal, os que os canadianos enquadraram nas vinte e duas vezes que remataram.

No final, ao saber que tinha sido eleito o melhor em campo, Kevin de Bruyne, não se manifestou apenas surpreendido. Disse mesmo que isso se devia apenas ao nome que tem. E disse tudo! 

 

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