Calvário sem fim à vista
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Continua o calvário do Benfica, sem fim à vista. Uma única vitória nos últimos dez jogos!
Hoje, em Portimão, foi apenas mais um passo no pesadelo em que conseguiu tornar um campeonato que teve no bolso, com mais uma exibição inadjectivável. Hoje não faltou aquela pontinha de sorte com que tantas vezes se procura justificar o que não tem justificação. Nem o golo que foge, e que intranquiliza a equipa, como noutras vezes. Não, hoje o Benfica fez do jogo o que fez deste campeonato.
Teve-o ganho, e não o conseguiu ganhar.
Sem uma exibição por aí além, loge disso, fez uma primeira parte competitivamente aceitável. Não rematou muito, nem criou muitas oportunidades de golo. Mas a equipa correu, esforçou-se, foi competitiva, e aproveitou as oportunidades que teve, ao contrário, por exemplo, do último jogo, de má memória, com o Tondela.
Os jgadores pressionaram e reagiram sempre à perda da bola, e o golo que poderia desbloquear mentalmente a equipa chegou pouco depois do primeiro quarto de hora de jgo. E à meia hora já ganhava por dois a zero.
Esperava-se - e exigia-se - que tais circunstâncias devolvessem a confiança e a qualidade de jogo à equipa. E um resultado robusto que afundasse de vez todos os fantasmas que a têm aprisionado. Inexplicavelmente, em vez de afundar os fantasmas, a segunda parte afundou a equipa. Notou-se isso logo que soou o apito para retomar a partida, e cedo se começou a perceber o que aí viria.
Porque o Portimonense partiu para cima do Benfica e coemçou a criar oportunidades umas atrás das outras?
Não. Nem isso foi preciso. Apenas porque a equipa desistiu do jogo, como se já estivesse ganho. Como fez com o campeonato.
Não foi falta de sorte, se há falta sorte para lamentar é apenas nas lesões, de Jardel, primeiro, e de Grimaldo, já na segunda parte, quando o desacerto era já por demais evidente. Foi falta de mentalidade competitiva, foi falta de vontade, e foi falta de classe. Parece que os jogadores têm medo de ganhar!
Foi de tal forma assim que, mesmo sem que o Portimonense criasse uma única oportunidade de golo, desde cedo se sentiu que o Benfica não iria ganhar este jogo. E não foi surpresa nenhuma que o Portimonense marcasse na primeira ocasião que o Benfica lhe ofereceu, vinte minutos depois do reinício, na sequência de um livre em jeito de canto mais curto, a punir uma inexistente falta de Tarabt, em que a defesa deixou saltar à vontade e sozinho na pequena área um jogador adversário.
O desacerto e a falta de competitividade continuaram e, dez minutos depois, num canto, repetiu-se a cena. Vlachodimos ainda defendeu o remate de cabeça. Para a entrada da área, onde surgiu um jogador do Portimonense, para num grande remate, indefensável, fazer o esperado empate, empurrando definitivamente o Benfica para o abismo.
Faltavam 14 minutos para os noventa, e 21 para o fim do jogo. Muito tempo para uma equipa que o quisesse ganhar o fizesse. Só que voltou a acontecer o que sempre tem acontecido.
Com duas substituições efectuadas pelas lesões de Jardel e Grimaldo, com as cinco agora permitidas, Bruno Lage recorreu aos habituais e ineficazes Seferovic e Dyego Sousa, e ainda a Gabriel, que ficara no banco com a entrada de Cervi no onze inicial, a única alteração que o ainda treinador do Benfica entendeu necessária em relação á equipa que jogara o último jogo.
Com isso apenas conseguiu confirmar o que há muito se sabe. Que não treina as situações de jogo que requerem presença na área, para o sufoco final. Sem isso treinado, e com a confrangedora falta de capacidade daqueles dois avançados, em linha de resto com a nulidade de Vinícius durante todo o tempo em que esteve em campo, o resultado não poderia ser diferente dos que têm acontecido.
E, assim, continua a ser impossível acreditar que esta equipa vai dentro de pouco tempo voltar a ganhar jogos!