Chelsea 1 - Benfica 0
O Benfica está numa fase em que tudo lhe acontece. Quando acabava de sair vivo - mais que isso, claramente por cima do jogo, com duas excelentes oportunidades de golo, uma delas a bola ao poste de Lukebakio - do primeiro quarto de hora do jogo, liquida essa superioridade com um auto-golo.
Se a este Benfica acontece tudo, a Rios acontece tudo e mais alguma coisa. Um ou dois minutos antes de, com um ímpeto que ainda lhe não tinha sido visto, se antecipar a três defesas da sua própria equipa, para marcar na baliza de Trubin, por lhe faltar metade - ou menos - desse ímpeto, em frente da linha de golo da baliza do Chelsea, falhara o golo na baliza certa.
Não foi apenas isto o jogo de Stamford Bridge - onde Mourinho, neste regresso, voltou a ser aplaudido - mas foi apenas isto a segunda derrota nos dois jogos do Benfica na presente edição da Champions.
Como já se deixou perceber, o Benfica entrou bem no jogo. Mourinho não fez muitas alterações (relativamente ao último jogo, com o Gil Vicente) no onze inicial, mas mudou a abordagem táctica da equipa. Enzo - o nosso, o outro, o capitão deles, foi o alvo do ódio de estimação dos muitos benfiquistas que se deslocaram a Stamford Bridge, que durante mutas fases do jogo dominaram também nas bancadas - regressado do castigo, juntou-se ao duo (Rios e Aursenes) do meio campo do último jogo, que passou a três. Da frente saiu Schjelderup, com o lado esquerdo entregue a Sudakov, mantendo-se Lukebakio e Pavlidis.
Tacticamente bem, mesmo com uma ou outra hesitação de um ou outro jogador, o Benfica demonstrava não temer o campeão do mundo. Não quer dizer que dominasse por completo o jogo, nem que exibisse um futebol exuberante, mas jogou o suficiente para estar por cima do jogo, e para chegar a ser entusiasmante. Na primeira parte o Chelsea construiu dois lances de golo - nenhuma delas foi a do auto-golo de Rios -, o Benfica, três ou quatro.
A diferença foi feita pelo auto-golo. Que é um acidente de Rios, mais que um erro de Rios. O erro, que já tinha ocorrido num lance anterior, é de Dedic, que foi fechar no meio, onde estava Rios, e podia estar ainda Enzo, deixando Garnacho completamente livre.
Na segunda parte o Chelsea não foi melhor. E o Benfica foi ainda um pouco melhor. Sem deslumbrar, sem grandes e claríssimas ocasiões de golo, mas melhor durante mais tempo. Com a impetuosidade de Rios no auto-golo, muita da produção ofensiva teria certamente acabado em grandes oportunidades e, algumas delas em golos.
Assim, aconteceu apenas que o Benfica, a dar melhor conta de si, perdeu um jogo (competitivo) que não merecia perder. Depois de perder (com o Qarabag) o jogo que tinha de ganhar, hoje o Benfica perdeu a oportunidade de não perder com o Chelsea.