Coisas extraordinárias
Estará por horas, tudo o leva a crer, a eleição de Mário Centreno para Presidente do Eurogrupo. Mais do que estranho, é extraordinário que, em dois anos, Mário Centeno tenha passado do mais óbvio alvo do fanatismo do Eurogrupo, do patinho feio do Ecofin, do ministro das finanças hostilizado pelo Sr Schauble, que gostava de exibir a subserviência da sua antecessora, sempre sorridente e de cócoras, a figura maior desse espaço e estrela dessa companhia.
Mais extraordinária só a forma como a direita em Portugal foi evoluindo durante esse extraordinário processo, começando na rejeição absoluta da hipótese, colocando-a no domínio do absurdo, passando-a depois para o domínio do fait divers, depois ainda para o da hipótese remota para, com a realidade a entrar-lhe pelos olhos dentro, passar à sua completa desvalorização.
E aqui cabem todos. Desde Assunção Cristas, que declarou não reconhecer qualquer mérito a Mário Centeno para tal distinção, ao Presidente Marcelo, que se aventurou numa sucessão de declarações verdadeiramente patéticas. Cada uma mais pateta que a outra, fosse pondo em dúvida as possibilidades da candidatura, ou as alusões ao futebol, fosse indo buscar a situação das finanças públicas nacionais, ou fosse essa insondável recomendação para que Centeno se não esquecesse que "começou por ser ministro das finanças. Esta, então, vale mesmo a pena transcrever: "Tem de olhar para a Europa e na Europa estar atento ao que é fundamental para a Europa, mas não se deve esquecer que começou por ser ministro das Finanças e só lá [ao Eurogrupo] chega por isso, não caiu do céu".
Que coisas extraordinárias diz também Marcelo...