Continua o espectáculo
Continua o espectáculo. A segunda corrida da época, no Grande Prémio da Arábia Saudita, marcada por um atentado bombista que o chegou a pôr em causa, e pelo acidente de Mick Shumacher, nos treinos de qualificação (mais do que por mais uma batida de Latifi, um especialista, desta vez sem decidir o título, como na última) confirmou todas as expectativas do grande espectáculo da fórmula 1 para este ano. No palco estão ainda apenas a Ferrari e a Red Bull, o que será quando lá chegar também a Mercedes?
Por enquanto está entregue a Versttapen e Perez, e a Leclerc e Sainz. A Red Bull e a Ferrari chegaram mais cedo e, para já, desalojaram a Mercedes. Deve ser apenas uma questão de tempo para os Mercedes reencontrarem a competitividade que perderam em pista, já que nas boxes, e na estratégia de corrida, parece há muito que não conseguem competir com os melhores.
Antes, a superioridade dos carros iludia essa desvantagem. Agora, sem a superioridade dos motores, o que perde nas boxes ... soma ao que perde em corrida. Hamilton, que partiu do fim da grelha por ter falhado a passagem ao final da qualificação, não passando da Q2, ainda chegou onde podia chegar - ao sexto lugar, atrás do seu colega, Russel, que se limitou a deixar correr a corrida e a manter a sua posição à partida. Mas depois, na hora de trocar pneus, voltou a falhar tudo. Falhou o timing (incrível como não fez a troca com o safety car virtual activado para entrar nas boxes já quando a pista estava livre) e deitou tudo a perder, acabando no 10º lugar.
Como nos concertos das grandes bandas, também o palco em Jeddah foi entregue, primeiro, para a primeira parte, a segundas figuras. E, como tantas vezes acontece nesses concertos, vêm daí grandes espectáculos. Foi o que fizeram os Alpine de Alonso e Ocon. O prato principal ficaria mais para o fim, e só podia mesmo estar reservado para os Ferrari e os Red Bull.
Sergio Perez tinha partido da pole, a primeira da sua carreira, depois de uma surpreendente volta canhão à última hora (ele próprio disse que nunca mais seria capaz de repetir aquilo), e garantiu a liderança da corrida até à troca de pneus, quando foi enganado pelo bluf de Leclerc, e acabou para cair para o quarto lugar. Leclerc, que partira do segundo lugar da grelha, passou para a frente. Verstappen, que subira de quarto para terceiro, batendo Sainz (que, atrás do seu colega de equipa, não podia forçar o arranque) na largada, trocados os pneus, ficou atrás atrás do monegasco. E subiu então o pano para o ponto alto do espectáculo, com ultrapassagens sucessivas, à medida do DRS de cada um. Até à ultima volta, com o campeão do mundo à frente, eventualmente a beneficiar das bandeiras amarelas no primeiro sector, e a somar os primeiros pontos da época.