Decisões desportivamente finais.
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Havia muita coisa para decidir nesta última jornada do campeonato - o acesso à última vaga para uma competição europeia, determinada pelo sexto lugar na classificação, a fuga ao lugar em aberto para a descida, bem como a do desejável ou indesejável, conforme o ponto de vista da classificação, última esperança de manutenção através liguilha, e ... a questão do melhor marcador da Liga. Com tanta coisa em jogo, abrangendo praticamente todos os jogos (à excepção do Tondela-Paços, que se disputou ontem, e do Porto-Belenenses, que abriu a jornada de hoje, foram todos à mesma hora. Todos menos o Sporting-Marítimo, que começou quando todos os outros estavam a acabar. A Liga achou que não havia desportivamente qualquer problema em dar a um dos competidores pela melhor marca de golos a vantagem de iniciar o jogo já sabendo quantos teria de marcar para ganhar.
No Vitória-Benfica, também um clássico, estavam em jogo a primeira e a última daquelas decisões. Ah... e também o título que Jorge Jesus quer que festejemos - o de campeão da segunda volta. Mas estava também em jogo ... a final da Taça, do próximo domingo.
Por isso o treinador do Benfica apresentou uma equipa com sete alterações em relação ao dérbi, de sábado passado. Para poupar física e disciplinarmente a maior parte dos jogadores habitualmente titulares. Pelo que se viu deveria ter poupado mais um - Lucas Veríssimo, que a meio da primeira parte acabou com uma lesão muscular que o afasta da final da Taça, e eventualmente até da estreia na selecção brasileira. Não poupou, não poderia naturalmente poupar Seferovic, com o título de goleador-mor do campeonato para discutir com o sportinguista Pote.
Ao contrário de outras vezes, como no recente jogo com o Nacional, não se notaram todas essas alterações. As segundas escolhas não estiveram nada mal e, mesmo sem realizar uma exibição exuberante, não se pode dizer que a equipa não tenha apresentado um futebol agradável. E menos ainda que não tenha dominado tranquilamente o jogo, provavelmente um dos mais fáceis desta longa série de confrontos em Guimarães.
Mesmo sem ter conseguido marcar, a primeira parte foi de domínio absoluto do Benfica, com três ou quatro ocasiões para marcar. Não marcou na primeira parte, mas marcou logo no início da segunda parte. Por Seferovic, pois claro, a finalizar uma excelente jogada de futebol. E repetiria ainda antes de esgotado o primeiro quarto de hora, agora na sequência de um canto bem trabalhado, com desvio ao primeiro poste para Seferovic concluir no segundo golo. Seu e da equipa. Festejou, claro. Eram dois golos preciosos.
Provavelmente suficientes para repetir o título de há duas épocas. Não há "hat-tricks" todos os dias. Acho que nem tinha havido nenhum neste campeonato.
Com o resultado em 2-0 Jorge Jesus começou a fazer entrar alguns dos principais habituais titulares. E a verdade é que o jogo da equipa começou a piorar. Pouco depois o Vitória marcou, de canto. Há muitos jogos que o Benfica não sofria um golo de canto, parecia até que esse problema que durante tanto tempo tinha atormentado a equipa fazia parte do passado mais negro desta negra época. O Benfica chegou até a perder o controlo do jogo, e permitiu até uma ou duas ocasiões para os vimaranenses empatarem. Valeu então o regressado - para a despedia - Vlachodimos
Nos últimos dez minutos voltou ao comando da partida, e acabou até por marcar o terceiro golo. Mas de Everton, que tinha entrado na tal leva dos titulares, que fez o que tinha de fazer. Quando o jogo acabou tinha praticamente acabado de começar o do Sporting, e o Pedro Gonçalves, Pote, já tinha marcado dois golos, voltando a estar empatado com Seferovic, que era ainda o melhor artilheiro por ter os mesmos 22 golos em menos tempo jogado na competição.
Faltava a Pote o terceiro. E o hat-trick, a tal coisa rara e o primeiro da sua carreira, era já uma inevitabilidade. Chegou por volta da hora de jogo e o assunto fico resolvido. E tornou-se, 25 anos depois de Domingos Paciência, no primeiro português com a melhor marca de golos no campeonato.
Não é só por isso que o Pedro Gonçalves merece nota alta. É porque foi a maior revelação da competição, e o mais influente jogador do Sporting, que marcou o desempenho competitivo do novo campeão nacional. Quando Pote esteve bem, e esteve bem durante grande parte da época, e muito bem no início e no fim, o Sporting esteve bem. Quando se apagou, o Sporting apagou-se. E valeu-lhe Coats.
É pois notável, e merecedora de todos os elogios, esta conquista do jogador que Rúben Amorim lançou para a alta roda do futebol. Mas não foi bonito, nem desportivamente aceitável, terem-lhe dado a vantagem que lhe deram. Nada garante que, com o jogo à mesma hora, o resultado fosse diferente. Mas o jogo em Guimarães teria sido certamente diferente!