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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Dia mundial da poupança*

Tudo sobre: Dia Mundial da Poupança – Observador

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Poupança, sempre transformado numa oportunidade para realçar o papel da poupança na preparação do futuro e, por contraposição, como alerta para os riscos do endividamento.

Poupança e endividamento não são apenas polos opostos de filosofias individuais de vida, são também o paradoxo das economias modernas.

A poupança encontra as suas mais profundas raízes nas velhas sociedades rurais de economia agrícola. As sementeiras fazem-se no Inverno, e as colheitas no Verão. Um período de investimento, na sementeira, e depois, muitos meses depois, o período do rendimento, na colheita. Que teria ser parcimoniosamente gerido para assegurar o necessário para o investimento que garantiria um novo ciclo, e para cumprir com o sustento familiar durante todo um ano. Nascia aí a poupança. 

À medida que as sociedades se iam industrializando, e tornando-se mais urbanas, as pessoas começaram a trocar os campos pelas fábricas, trocando uma “colheita” anual por “colheitas” sucessivas no final de cada semana, ou no final de cada mês. Já não tinham necessidade de poupar. Não tinham de esperar um ano para receber novamente. Podiam gastar, porque no final do mês vinha mais. Haverá outras, mas essa será de resto a principal explicação para que a poupança fosse sempre um conceito mais enraizado nos meios rurais que nos urbanos.

O desenvolvimento económico criou o consumo, que promoveu o negócio financeiro. Para alimentar o desenvolvimento económico já não bastava que as pessoas gastassem tudo o que ganhavam. Era preciso que gastassem mais e mais, sem que se lhes tivesse de pagar mais. E veio o crédito ao consumo, e o endividamento na maior parte das vezes desordenado e suicida.

Até chegarmos à actualidade no paradoxo maior da poupança: poupa mais que menos precisa de poupar. Os que mais precisam de poupar para se precaverem do que está para vir, os de menores rendimentos e de maior incerteza no futuro, simplesmente não o conseguem fazer. Sobra-lhes sempre mês no fim do ordenado.

 

* A minha crónica de ontem na Cister FM

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