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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

É a confiança, estúpido...

Por Eduardo Louro

 

A Bolsa caiu para mínimos de 2013 e a Comissão Europeia volta a colocar o país no ponto mira. O governo está de férias, que só interrompeu para mandar mais uns foguetes sobre a brilhante solução encontrada para o BES, com as caras de Portas e de Maria Luís Albuquerque, mais ou menos a assobiar para o lado, se descontarmos aquela aparição de Passos, a caminho da praia, em circunstâncias dificilmente coadonáveis com a gravidade da situação.

Finalmente lá apareceu hoje o ministro da Economia, já sem canas nem foguetes na mão, a manifestar-se preocupado com estas coisas. Diz Pires de Lima que o que se vive no mercado de capitais "espelha a grande desilusão com a situação do BES e também aquilo que é a desfaçatez verificada na PT". Que “os investidores, naturalmente depois de terem percebido ao longo dos últimos meses a evolução do caso do BES e terem verificado as atitudes que se verificaram ao nível da administração da PT, reagem negativamente". Ou que "os receios dos investidores estão lá, por isso é que os mercados caíram, porque houve, de facto, acontecimentos relevantes em Portugal, ao nível do BES como ao nível do comportamento da administração da PT que são inexplicáveis para qualquer investidor, nomeadamente investidores estrangeiros que investiram em Portugal e no mercado de capitais português convencidos que o mercado português não viveria situações como estas”. 

Nada do que diz é falso. Mas é falacioso, mais rigorosamente enganoso!

Porque tudo converge numa palavra mágica:confiança. Que simplesmente desapareceu!

Claro que a confiança desaparece quando uma marca como centenária como a do BES, ela própria marca de confiança, de repente desaparece. Às mãos de quem mais a deveria defender, à conta de gestão criminosa, mas também pelas mãos de quem deveria ter velado pela sua defesa. Claro que a confiança se esvai quando numa empresa como a PT, a administração aplica uma parte significativa do seu valor em financiamento directo a uma outra empresa, por acaso de risco. 

Mas a confiança perde-se de forma dificilmente recuperável quando o país, quando os seus orgãos de regulação e supervisão, promovem a subscrição de um aumento de capital de um banco, do seu maior banco privado e, um mês depois, com a resolução - eufemismo de falência - do Banco se apropriam de todo o capital. Confiscam tudo!

A confiança perde-se, e dificilmente se recuperará, quando se percebe que o governo e o Banco de Portugal, como agora se percebe pela legislação publicada, estiveram a preparar a resolução do Banco sem disso dar conta à CMVM, permitindo que as acções continuassem a negociar em Bolsa, e permitindo com isso situações de inside trading, sobre o que hoje já ninguém tem grandes dúvidas.

E quando se não pode confiar num Presidente da República (que garante toda a confiança num Banco desaparece uma semana depois), num governo que nunca é claro, especialista em enganar o país, em que tudo lhe serve para festa, nem nos órgãos de regulação e de supervisão, não se pode confiar no país!

Lembrando aquela célebre expressão da campanha de Clinton, daria vontade de responder da mesma maneira a Pires de Lima: É a confiança, estúpido...

 

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