É notícia: a Red Bull não ganhou!

A qualificação para este GP de Singapura não correu bem à Red Bull, com Verstappen e Perez na 11ª e 13ª posição da grelha de partida. A corrida até nem lhe correu tão mal, e ainda deu para o holandês chegar à quinta posição no fim, e o mexicano à sétima.
Pela primeira vez neste campeonato a equipa que domina a fórmula 1 há tempo de mais, não ganhou. E Verstappen interrompeu a mais longa série de vitórias consecutivas.
Com o "eclipse" da Red Bull ganhou a corrida. E este GP de Singapura foi a mais espectacular corrida de fórmula 1 dos últimos anos. Na última volta tínhamos quatro carros colados, a discutir a vitória. Coisa nunca vista!
A Ferrari dominou o fim de semana, e saiu com o primeiro (Carlos Sainz) e o terceiro (Charles Leclerc) para a corrida. Pelo meio, o Mercedes de Russel, na primeira linha, atrás de Sainz. Que arrancou mal. Depois, o Mclaren de Norris e o Mercedes de Hamilton. Que partiu fortíssimo, passou de imediato Norris e, quando ia a passar também pelo seu colega de equipa, não conseguiu concluir a curva e saiu pela escapatória, já à frente de Russel.
E assim seguiu ainda algumas voltas, dando a direcção da corrida até a indicação que o incidente estaria sanado. Russel reclamou á equipa que Hamilton lhe devolvesse a posição, e a resposta - estranha, estranhíssima - foi a de Hamilton devolver não só a posição a Russel, mas também a Norris. Que, claramente, tinha sido ultrapassado dentro dos limites da pista, ainda antes da saída de Hamilton pela escapatória.
O final da corrida mostraria como esta decisão foi decisiva para o seu desfecho. Nunca é possível demonstrar o que não aconteceu, mas é indiscutível que, se tudo tivesse decorrido como a corrida acabou por acontecer, teria sido Hamilton a ganhar em Singapura.
Mas voltemos àquela incrível última volta, com os carros de Sainz, Norris, Russel e Hamilton colados. O espanhol ia gerindo a sua liderança como podia. Com os pneus em pior estado que os adversários, foi gerindo a aproximação de Norris, para lhe dar o DRS que lhe permitisse manter Russel e Hamilton atrás de si. Enquanto os Mercedes, na altura claramente os melhores em pista - com um ritmo que lhes tinha garantido ganhar a enormidade de 3 segundos por volta, em média -, estivessem trás de Norris não estariam atrás de si próprio. E resultou.
Russel vinha há duas voltas a tentar passar Norris, com Hamilton colado à sua traseira, à espreita. Qualquer movimento de ultrapassagem poderia resultar em tudo. Tudo mesmo. Passando Norris, tanto Hamilton como Russel poderiam praticamente de seguida passar também Sainz. Mas também poderia correr tudo mal. E correu, com Russel a espetar-se, a destruir o Mercedes contra o muro, e a acabar ali com a corrida. Com a dele, e com o pouco, que poderia ter sido muito, que dela restava. A inevitável bandeira amarela acabaria por funcionar como a axadrezada da meta. Já nada mais podia acontecer!
Sainz acabou por ganhar bem. Fez uma grande corrida, plena de inteligência. Norris, o segundo, teve igualmente uma grande prestação, a confirmar que a Mclaren está mesmo de volta. Mas foi a Mercedes que a perdeu. Perdeu-a naquela decisão inicial imposta a Hamilton. Mas também na mudança de pneus, onde contava com o grande - e único - trunfo de ter dois jogos de pneus novos ainda para utilizar, com aquela bizarra decisão de mandar parar os dois carros em simultâneo.
Mas que foi uma grande corrida, foi. Por mim, já tinha saudades. Mas não tenho ilusões: vem aí o GP do Japão, e tudo voltará a ser como dantes. Não deve ser por acaso que a Red Bull nunca ganhou em Singapura.