É oficial: a Juventus é uma equipa fraca!
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É oficial: esta Juventus é a mais fraquinha dos últimos 3500 anos!
E o Benfica continua a não ser verdadeiramente testado.
Saindo da ficção para a realidade: o Benfica foi a Turim presentar os italianos com um recital de futebol, naquela que terá sido a melhor a exibição da época e, numa superior demonstração urbi et orbi de classe e categoria, reduziu a Juventus à dimensão da vulgaridade.
Percebeu-se logo no arranque do jogo que o Benfica sabia o que queria fazer em Turim, no Juventus Stadium. Percebeu-se que ia para jogar o seu futebol, sem medo de coisa nenhuma, e portanto sem razões para abdicar da sua identidade. E percebeu-se ainda que teria um apoio massivo nas bancadas, bem preenchidas de adeptos benfiquistas (falou-se em 14 mil), vindos certamente de todo o lado. E que foram, também eles, fantásticos. Mas também se percebeu logo que a Juventus entrava com uma agressividade fora do comum, que claramente surpreendia os jogadores do Benfica.
O primeiro contratempo surgiu logo aos 4 minutos: uma falta despropositada de João Mário, a meio do meio campo defensivo, provocou um livre lateral, bem cobrado pelo Paredes (um jogadorzito!), mas mal defendido (anda a frio?) que acabou com Milik (outro jogadorzeco!) a marcar, ao primeiro remate. Como tanta vez acontece.
Foi um soco no estômago. A equipa cambaleou, ficou meio abananada e, com superioridade no meio campo, sempre com grande agressividade na disputa da bola, e moralizada com o golo, a Juventus levou o jogo para 10 minutos de grande dificuldade para o Benfica. Não acertou qualquer remate na baliza, mas não é por isso que se poderá negar que criou uma ou duas oportunidades para marcar.
Foi mais ou esse o tempo que o Benfica demorou a equilibrar-se. A partir daí passou gradualmente a comandar o jogo, e a empurrar a Juventus para a sua área. À meia hora da primeira parte já o jogo era do Benfica. Já tinha mais remates, mais cantos e mais posse de bola. A juventus continuava com um único remate enquadrado, o do golo!
Depois foi o poste a negar o golo - que seria um grande golo - a Rafa. E o penálti sobre Gonçalo Ramos - que o árbitro alemão com uma ligeira costela italiana, nas pequenas mas também nas grandes coisas - não quis ver (teve se ser o VAR a obrigá-lo) - que João Mário transformou no já mais que justificado empate. No festejo voltou a ver um cartão amarelo. Não foi por despir a camisola, mas também não se percebeu por que foi. Se calhar vai ter de deixar de festejar os golos que marca.
O melhor estaria reservado para a segunda parte. A superioridade do Benfica foi-se acentuando e a exibição foi ganhando brilho, com os jogadores - todos -, e a equipa, no seu todo, a espalharem magia e classe pelo relvado. Mas a desperdiçarem oportunidades de golo, umas atrás das outras.
O próprio golo da vitória, aos 10 minutos da segunda parte, é o exemplo vivo dessa onda de desperdício. Só à terceira, a bola, então rematada por Neres, acabou por entrar na baliza de Perin. Que foi, seguido de Bonucci, o melhor jogador da Juventus.
A partir daí, do golo da reviravolta, o ritmo das situações de golo do Benfica aumentou ainda mais. No quarto de hora que se seguiu ao golo, até aos 70 minutos - um quarto de hora de sonho - o Benfica criou cinco oportunidades para marcar!
A perder, e a levar um banho de futebol que deixava desesperados os tiffosi da Juve, Allegri tentou tudo no jogo das substituições. Lançou o nosso Di Maria, que mexeu com o jogo, mas não o alterou. Voltou a mexer na equipa, e voltou a não o alterar.
E o jogo acabou precisamente com a última oportunidade do Benfica, em cima do quarto e último minuto da compensação. E com a quarta vitória tangencial consecutiva, quando poderia ter terminado em goleada.
Claro que a Juve também teve uma bola no poste. Mas essa foi um corte do fantástico António Silva para não dar canto. E poderia até ter empatado quando, a três minutos dos 90, o central brasileiro Bremer, num grande cruzamento de Di Maria, dominou no peito e, frente a Vlachodimos, atirou por cima. Seria de uma injustiça gritante, mas esses são os riscos que uma equipa absolutamente dominadora acaba por correr quando, desperdiçando uma goleada, prolonga um resultado na diferença mínima.