Euro 2024 - IV Portugal apurado
A selecção nacional ganhou, de forma clara e inequívoca, à Turquia - o único adversário que remotamente lhe poderia questionar o primeiro lugar no grupo F - no segundo jogo neste Euro 2024, e assegurou, desde logo, não só o apuramento para os oitavos de final da competição, mas mesmo o primeiro lugar do grupo. Com toda a importância que isso tem.
Nem a vitória clara perante o principal adversário no grupo, nem o que ela garantiu, constituem razões para qualquer euforia. Menos, ainda, para vermos profissionais da comunicação social a classificar a exibição da selecção de perfeita. Ou, no mínimo, a "roçar a perfeição", como bastas vezes ouvimos.
Não. Foi apenas um jogo em que tudo correu bem. Tudo correu pelo melhor que podia correr. De tal forma que tudo o que havia na equipa para correr mal, e era muito, acabou por ficar escondido.
Em futebol, coeficientes de eficácia (rácio entre oportunidades de golo criadas e golos marcados) entre os 30 e os 50% são normalmente considerados elevados, e só ao alcance ou das grandes equipas, ou do aleatório factor sorte.
Pois, na primeira parte deste segundo jogo da selecção nacional no Euro 2024, com a Turquia, a equipa portuguesa teve um coeficiente de eficácia de 200%. Nem mais - criou uma oportunidade para marcar, e obteve dois golos.
Mais: em quatro golos, em jogo e meio, de que a selecção usufruiu, dois (50%) foram marcados pelo próprio adversário.
Basta ter isto para esconder tudo. Incluindo, mais uma vez, a falta de concretização do talento destes jogadores.
O segundo golo, mais ainda pela forma como aconteceu - um desentendimento entre Cancelo e Ronaldo (que, como é habitual, ficou a protestar, quando tinha sido ele próprio a falhar a desmarcação) deixou a bola num defesa turco que, com toda a tranquilidade, sem pressão de lado nenhum, resolve atirar a bola para dentro da sua própria baliza -, deixou a selecção da Turquia derrotada. A partir daí, com um mínimo de talento à solta, a equipa portuguesa tinha todas as condições para golear.
Não o fez apenas porque voltou a faltar esse talento. Vitinha foi "great again", mas foi Bernardo "the best". Bruno Fernandes continua longe daquilo que é capaz, tal como Rafael Leão. E Cristiano Ronaldo só para o selecionador - e para grande parte do público da selecção, que continua a idolatrá-lo - justifica estar na equipa. Está diferente - é certo - de há uns tempos. Antes, o terceiro golo da selecção portuguesa era impossível. Nunca Ronaldo, independentemente da probabilidade de sucesso, deixaria de rematar. Nunca escolheria passar a bola para o golo certo de Bruno Fernandes.
Com tanta gente fora do seu melhor, e tantos dos melhores fora da equipa, a selecção garantiu a qualificação e o primeiro lugar no grupo (também era só o que faltava, não o fazer num grupo destes!). Mas não se deve enfiar a cabeça na areia. Houve sorte a mais, e talento e futebol a menos!
E não me venham contar "estórias" dos tempos em que, nesta altura da competição, andávamos de credo na boca e calculadora nas mãos!