Faltou sorte. Mas também competência.
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Esperava-se que Roger Schmidt fizesse alguma rotação neste jogo com o Estoril, o "outsider" destas meias finais da Taça da Liga, em Leiria. Mas não!
A única rotação que fez foi aquela que mais vezes faz: no ponta de lança. Desta vez com Petar Musa, que tem sido o descartado dos últimos jogos. A mostrar que não tem dúvidas no seu melhor "onze", mas que tem todas as dúvidas no ponta de lança. E, pelos vistos, tanto maiores quantos mais tem à disposição.
O Estoril, com todo o mérito nesta sua primeira presença nesta fase final, à custa do Porto, mesmo vindo de quatro derrotas consecutivas, sempre vergado à goleada, mostrou que Roger Schmidt teria razão em não "facilitar", se é que isso é insistir nos mesmos jogadores que sempre escolhe.
Não "facilitou" na escolha da equipa inicial, mas ela facilitou. Falhou no que costuma falhar: no ataque organizado, mesmo que tenha criado nessa circunstância de jogo muito mais oportunidades que nos últimos jogos, e na concretização. E faltou-lhe o que não lhe costuma faltar: espaço e tempo para as transições rápidas, em boa verdade a circunstância de jogo que tem sustentado os êxitos da equipa durante toda esta época.
O Estoril entrou bem no jogo, como que avisar ao que vinha. Teve aí, no primeiro quarto de hora, o seu melhor período, aquele em que realmente dividiu o jogo com o Benfica, disputando-o abertamente, em todo o campo. Fez então o seu único remate à baliza em todo o jogo e, nele, o golo. Obra de Rafik Guitane, um jogador que já por cá anda há uns anos, de que há muito aqui falo, e que provavelmente é demasiado barato para a política de contratações do Benfica.
Se o "scouting" ainda não deu por ele, se não é suficientemente bom para despertar a atenção de Schmidt, é melhor pedirem a opinião a Mourato. Pode ser que ele os convença e - quem sabe? - até consiga explicar à Administração da SAD que, por poucos milhões, também se contratam bons jogadores. Que pagar quinze, vinte ou mais milhões não é condição necessária. E muito menos suficiente.
Apanhando-se a ganhar, o Estoril passou a alternar o "autocarro" com breves momentos de posse de bola. E começou logo a queimar tempo. A perder, o Benfica tomou definitivamente conta do jogo. Quatro minutos depois, a concluir um belo lance de futebol - passe soberbo de Kokçu para Aursenes, e cruzamento milimétrico para a cara do guarda-redes - Rafa desperdiçava um golo cantado. Foi mais Rafa a acertar no Dani Figueira, que propriamente uma grande defesa.
Entre esta primeira grandíssima oportunidade e a segunda, com Di Maria isolado, numa daquelas que nunca falha, a permitir a defesa do guarda-redes (novamente com mais demérito para o remate que mérito para a defesa) passaram 15 minutos, com três ocasiões de golo - António Silva e Musa, por duas vezes - pelo meio. Os restantes dez minutos, até ao intervalo, foram um misto de anti-jogo e daquelas pequenas coisas que os árbitros sabem fazer - cantos transformados em pontapés de baliza, faltas por assinalar, ou por punir disciplinarmente. Amarelos, só um para cada lado, "salomónico" quando a vítima tinha sido Kokçu. E outro para Schmidt, por protestar os dois minutos - dois, depois da permanente "queima de tempo" nas reposições de bola nos pontapés de baliza, e das entradas em campo da equipa médica do Estoril - de compensação.
O Benfica entrou para a segunda parte com o mesmo onze, mas com mais velocidade e pressão. O jogo continuou com sentido único, com o Estoril a defender-se como podia e com a ajuda de todos os santos. Cantos e mais cantos, sempre depois de mais uma das vinte pernas do Estoril acabar com as sucessivas ondas de ataque benfiquista. Rafik Guitane é que, a cada vez que tocava na bola, continuava a dar cabo da cabeça a Morato.
Depois do descrente Musa - ainda em campo - ter falhado mais uma oportunidade, logo a seguir abriu as pernas para que o cruzamento de João Mário chegasse a Otamendi (sim, em ataque continuado!) para, finalmente, rematar para o golo. Ainda se não tinha esgotado o primeiro quarto de hora, e o mais difícil estava feito - pensava-se. Aquele era só e apenas o primeiro golo.
Mas ... nada disso. O jogo continuou como se nada se tivesse passado. A mesma "queima de tempo" e as mesmas "pequenas coisas que os árbitros sabem fazer". João Mário protestou e viu o amarelo. Rafa voltou a falhar um golo cantado, e Schmidt começa finalmente a "mexer" na equipa.
Tirou Musa e Kokçu, para entrarem Marcos Leonardo e Tiago Gouveia. Que foram pouco depois intervenientes na melhor jogada do desafio, quando Tiago Gouveia avançou pela esquerda, deu na zona central para Rafa Silva, que combinou com Di María e assistiu Marcos Leonardo que, incrivelmente, e por muito pouco, não marcou.
Tudo corria mal e, já certamente a pensar nos penáltis, Schmidt mantinha João Mário em campo ao lado de João Neves, depois da saída do médio turco. Ora, se João Mário não tem intensidade para aquela função, "amarelado", pior ainda. O Benfica sufocava o adversário, o coração ia mandando mais que a cabeça, e o golo não aparecia. Nem naquele remate espectacular de Di Maria, no último lance do jogo. Não foi sorte nem azar. Foi milagre. A defesa do Dani Figueira foi milagrosa. Sorte, ou azar, foi a bola sair a partir do poste.
E lá vieram os penáltis para desempatar o jogo. De um lado, um guarda-redes que tinha defendido (quase) tudo, e tinha até acabado de fazer um "milagre". Do outro, um guarda-redes que não tinha feito uma única defesa em todo o jogo. E que falhara na única oportunidade que teve para o fazer. Mas nem foi por aí, afinal cada um acabou por defender um. E sem grande mérito, apenas por demérito dos marcadores. Grande - enorme - de Marcos Leonardo, no segundo penálti.
Bem maior do que o do Tomás Araújo - entrara nos últimos minutos, em simultâneo com a estreia de Álvaro Fernandez (Morato) a substituir Aursenes - que bateu bem, enganou o guarda-redes, e teve a infelicidade de a bola rasar o poste pelo lado de fora.
Tenho sempre alguma dificuldade em resumir o desfecho de um jogo de futebol a sorte e azar. Acho que há sempre mais qualquer coisa para explicar o resultado. E hoje, para além da sorte, faltou competência ao Benfica!