Farense 0 - Benfica 2
Não foi um Benfica exuberante, mas foi um Benfica muito competente este que, hoje, no mau relvado do velhinho S. Luís, assegurou a passagem aos quartos de final da Taça. Que, provavelmente - mas também o Sporting, se amanhã for capaz de ultrapassar o Santa Clara, esperaria encontrar o Vitória de Guimarães e, afinal, se lá chegar encontrará em Alvalade o fofinho AVS - terá de disputar no Dragão, com o Porto.
José Mourinho apresentou um onze bastante diferente do que vem sendo a equipa tipo, com Samu - o guarda-redes das taças - na baliza, António Silva de regresso, como Tomás Araújo, também de regresso, mas... à lateral direita. No miolo manteve Rios, mas com a companhia do regressado Manu, titular e até a jogar o tempo todo. Nas alas Prestianni (na direita) e Schjelderup (na esquerda) e, atrás de Ivanovic, Sudakov. Seis novidades - Samu, António Silva, Manu, Prestianni, Schjelderup e Ivanovic - com cinco - Trubin, Dedic, Enzo, Aursnes e Barreiro (lesionado) - habituais titulares de fora.
Quis o diabo que, destes, dois - Aursenes, pouco depois da meia hora, para substituir Sudakov, lesionado e vítima da agressividade maldosa (a mesma que víramos, no passado domingo, em Moreira de Cónegos) de alguns jogadores do Farense, e Trubin, ao intervalo, porque também o Samu se lesionou - tivessem de jogar a maior parte do tempo. Em contrapartida - ao diabo, claro -, Enzo, que nos planos de Mourinho teria de entrar quando Manu já não pudesse mais, pôde descansar.
Como comecei por dizer, sem ser brilhante, o Benfica foi competente. Confirmou que está consistente e competente, e isso não é pouco.
Desde cedo - o Farense empertigou-se nos dois minutos iniciais mas, se nem sequer foi sol, nem poderia ter sido de "pouca dura" - se assenhorou do jogo, e nunca permitiu que ele resvalasse para zonas de desconforto. O golo nem sequer tardou muito. À passagem do minuto 10 Rios marcou, num lance - livre lateral que Sudakov cobrou para o segundo poste - de laboratório.
O golo foi uma espécie de visto para a tranquilidade e para a paciência na posse e na gestão da bola, e esses os factores que diferenciaram o futebol do Benfica, permitindo-lhe diversas ocasiões para novos e mais golos. Sucessivamente desperdiçadas.
A mais clara, um quarto de hora depois, no penálti que Otamendi falhou. É o segundo consecutivo, nesta competição, pelo que será estranho se continuar a ser a alternativa a Pavlidis para a cobrança das grandes penalidades. Mas também Prestianni e Schjelderup dispuseram de excelentes oportunidades para aumentar a vantagem. Ivanovic ainda chegou a marcar, mas o golo foi (bem) anulado por fora de jogo.
Da primeira parte, duas más notícias: o resultado, escasso para o que a equipa jogara, e a deixar em aberto um jogo que já deveria estar fechado; e a lesão de Sudakov. Que poderá - não sei, nem faço ideia - não ser igual à de Barreiro, mas resultou de uma entrada tirada a papel químico. Parece que abriu em Portugal a caça aos jogadores do Benfica.
A segunda parte arrancou com uma falta grosseira sobre Ivanovic, à entrada da área e já isolado em frente ao guarda-redes contrário. O árbitro, a encomenda Hélder Malheiro, assinalou falta fora da área (bem) e puniu o defesa do Farense, que tinha acabado de entrar, com o cartão amarelo. O VAR entendeu, porque viu bem que o Ivanovic estava isolado e perante uma clara oportunidade para marcar, que o cartão a aplicar seria o vermelho. A encomenda do apito foi ver o lance, mas ... claro: manteve a sua!
Seria de novo à passagem do minuto 10 que chegaria o golo. O segundo, do 0-2 que vai sendo a matriz dos resultados da Taça. Obra de Ivanovic que, depois de um passe bem medido para o remate fortíssimo de Dahl, que o guarda-redes (em grande defesa) sacudiu, foi finalizar na pequena área, numa recarga oportuna.
Um golo importante para decidir o resultado. Mas mais importante ainda para o ponta de lança croata, a afirmar-se e a confirmar que conta. Mesmo!
Daí até ao fim foi mais do mesmo, com o Benfica a controlar o jogo em absoluto. E com mais uma estreia na equipa principal: Daniel Banjaqui, o lateral direito desta fornada de campeões europeus e mundiais de sub-17 por Portugal.
No último lance, no último dos dois cantos consecutivos que logrou, o Farense marcou, com a encomenda a validar de imediato o golo. Valeu o VAR, a chamá-lo para ver o empurrão ao António Silva que permitiu o cabeceamento para o golo. Desta vez Hélder Malheiro não teve como manter a decisão.