Favoritismo confirmado, prestígio reforçado!
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Era dada como favas contadas, esta eliminatória dos oitavos de final da Champions. E até este jogo da primeira mão da eliminatória em Bruges. Não havia quem não desse total favoritismo ao Benfica para este jogo na Bélgica, com o Club Brugge. Por cá, mas também por lá. E o jogo começou exactamente sob essa perspectiva, com o Benfica a impor o seu futebol e a equipa belga retraída no seu meio campo, claramente amedrontada e desconfiada de si própria.
Roger Schemidt não replicou o onze inicial de Braga, introduzindo-lhe duas alterações - Gonçalo Ramos, no lugar de Guedes, e Rafa, no de Neres. No resto, tudo na mesma. Nas bancadas, nem parecia que a equipa estava a jogar fora. Não que estivessem mais benfiquistas - eram à volta de 3 mil, 10% da lotação do estádio - mas porque foram sempre quem apoio mais forte deu à sua equipa. Foram fantásticos, e calaram durante duas horas os adeptos belgas, rendidos aos cânticos benfiquistas. Entre eles, Rui Costa. O presidente foi apenas mais um a cantar!
Dizia que o jogo começou com o Benfica a confirmar todo o favoritismo que lhe era atribuído, e foi assim mesmo naqueles três minutos iniciais. Só que, de repente, o Bruges alterou completamente a sua atitude e, de uma equipa recolhida e tolhida pelo medo, passou a uma equipa subida e aguerrida. Passou a disputar todos os lances com alta agressividade, lançou o jogo para a dimensão física, e passou a ganhar a maior parte dos duelos do meio campo. E a ganhar todos os ressaltos, e a grande maioria das segundas bolas.
A ignição para essa metamorfose foi uma escapada de Buchanan, pela esquerda, aos cinco minutos, que Vlachodimos anulou, junto ao poste direito. Durou cerca de um quarto, esse período mais complicado para o Benfica. Mas nem mais uma oportunidade para a equipa belga marcar, graças ao acerto da linha defensiva do Benfica.
A meio da primeira parte já o Benfica tinha recuperado a sua superioridade clara no jogo, e começava a iniciar um autêntico desfile de oportunidades de golo. Primeiro Aursenes, depois um corte que só por acaso não acabou em auto-golo, depois ainda, António Silva, com o remate de cabeça a sair ligeiramente por cima da trave. A seguir foi Rafa, a rematar aos ferros (mesmo no ângulo do poste com a barra), e depois Gonçalo Ramos, por três vezes.
"Quem não marca, sofre" - diz a velha máxima do futebol. E já em cima do intervalo, depois de tanto "não marcar", o axioma cumpria-se: uma perda de bola numa saída para o ataque obrigou Otamendi a uma falta sobre Lang (o melhor do Bruges), que lhe valeu um amarelo e, do livre, apareceu Odoi no segundo poste a cabecear para dentro da baliza. Valeu que estava em fora de jogo, por pouco, mas prontamente assinalado pelo "liner". E assim foi o jogo para intervalo, empatado. Sem golos, mas com muitas oportunidades para o Benfica.
A segunda parte iniciou-se exactamente nas mesmas bases e, logo no primeiro minuto, Gonçalo Ramos voltou a falhar a baliza, com tudo para fazer golo. Falhou o golo, mas ganhou um penálti, três minutos depois. Que João Mário marcou. Em força, ao contrário do que é habitual. Não fosse tanta e Mignolet teria defendido. Chegado ao golo, o Benfica tranquilizou. E refinou o controlo do jogo. Não recuou, não abrandou, mas temporizou mais o jogo.
Pouco depois da hora de jogo Shemidt trocou Ramos e Rafa (ainda longe da sua melhor condição) por Guedes e Neres, e a equipa revitalizou-se. Ganhou novo fôlego e voltou a criar novas oportunidades para voltar a marcar. Só o conseguiu já perto dos 90 minutos, por Neres. Que voltaria ainda a marcar, mas sem contar. Estava também em posição irregular.
No fim, fica mais uma exibição consistente do Benfica. E prestigiante. Colectiva e individualmente, sem elos mais fracos. Aursenes foi considerado pela UEFA o "homem do jogo". Talvez não tenha sido o melhor, por não ter estado tão bem a construir e finalizar como habitualmente. Mas esteve em cada metro quadrado do campo todo. É até difícil escolher o melhor, quando António Silva e Otamendi, estiveram insuperáveis; Florentino, soberano naquele meio campo, João Mário decisivo em todo o jogo, Gonçalo Ramos, um mouro de trabalho e o desbloqueador do resultado ... E só não se pode dizer que Chiquinho já não surpreende porque ainda consegue surpreender. Como naquela recepção fantástica, digna de Zidane.
E ainda um resultado que, podendo ter sido bem mais dilatado, acaba por ser interessante, e praticamente garantir o acesso aos quarto de final desta Champions.