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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Fenerbahçe 0 - Benfica 0

Benfica e Fenerbahçe não tiveram mesmo sorte no sorteio que alinhou os jogos do play-off da Champions, que definem o acesso à fase de liga. Quis a sorte, ou lá o que é, que tivessem de decidir entre si quem vai ter acesso aos 75 milhões de euros que estão em jogo, que é, mais coisa, menos coisa, aquilo a que poderão aspirar. São, de longe, as duas melhores equipas deste play-off , e uma delas vai ficar de fora, quando lá entrarão, garantidamente o Bodoe/Glimt (Noruega), certamente o Qarabag (Azerbaijão) ou, provavelmente, equipas como o Kairat Almaty (Cazaquistão), ou o Pafos (Chipre). 

Nesta primeira mão, em Istambul, disputou-se um jogo de futebol num tabuleiro de xadrez.

Tudo começou com a novela da contratação de Akturkoglu, que o Fenerbahçe utilizou para destabilizar o Benfica, numa manobra bem ao jeito de Mourinho, tenha ele tido ou não intervenção directa no processo. Desta vez ninguém estava a dormir no Benfica que, percebendo a manobra, e sem grandes alaridos, tratou de escalar a equipa com Akturkoglu e mais 10.

Para além da entrada do internacional turco, no lugar de Ivanovic, Bruno Lage jogou ainda com a de Florentino, na vez de Schjelderup, partindo para a colocação das peças no tabuleiro. Mourinho manteve a fórmula que tão bem resultara com o Feyenoord, mantendo o onze com que goleara a formação neerlandesa no acesso a este play-off , e que o tinha deixado de peito cheio.

Poderia pensar-se que Bruno Lage até poderia ganhar um jogo de futebol a Moutinho. Que lhe ganhasse um jogo de xadrez, poucos admitiriam. Mas foi isso que aconteceu: transformaram o jogo de futebol num de xadrez, e Lage ganhou.

O Benfica teve sempre mais bola e conseguia anular as iniciativas ofensivas da equipa de Mourinho. Dominou e controlou o jogo. Sempre. Percebia-se que todos aqueles equilíbrios só deixariam de funcionar se um qualquer grão de areia que ali entrasse. A não acontecer qualquer incidente que perturbasse aquela harmonia - não, não era um grande jogo aquele que a equipa estava a fazer, era o jogo necessário e, nessa medida, perfeito - o Benfica só poderia ganhar aquele jogo. 

Foi esse o sentimento durante mais de uma hora de jogo. O Benfica tinha mais posse de bola, toinha a iniciativa do jogo, e era a única equipa a criar a ideia que, em qualquer momento, poderia chegar ao golo.

A meio da segunda parte Bruno Lage lançou Ivanovic para o lugar de Barrenechea, que viera amarelado da primeira parte. Uma substituição que, ao mesmo tempo que precavia o risco de um segundo amarelo, relançava as peças do tabuleiro para o formato comum. A ideia que ficava era que, ganha a primeira batalha, a do equilíbrio e do controlo do jogo, passava para a segunda, a de o ganhar.

Parecia perfeito. Mas o incidente que se temia aconteceu a 20 minutos do fim. Em apenas dois minutos Florentino viu dois amarelos. O primeiro sem qualquer razão, nem falta fez. Apenas porque  os jogadores da equipa turca tinham apostado tudo no condicionamento do árbitro, forçando a nota a cada falta, ou a cada simples contacto (o lado do xadrez de Mourinho). Só que injustos ou injustificados, ou não, os amarelos contam da mesma maneira, e não é aceitável que, dois minutos depois de levar um amarelo, um jogador pense, sequer, em agarrar um adversário que lhe vai fugir.

A jogar com 10, e com tanto tempo para jogar, pensou-se que todos os equilíbrios ficariam desfeitos. Bruno Lage voltou ao tabuleiro de xadrez e, lançando Leandro Barreiro e Tiago Gouveia, retirando Akturkoglu e Pavlidis, regressou à fórmula inicial (Aursenes derivou para direita para o centro do meio campo). Com menos um era impossível dominar o jogo, mas era possível controlá-lo.

E foi isso que aconteceu, com sucesso, até ao fim do jogo. Até porque no segundo incidente, no que seria um frango descomunal de Trubin, o golo de En-Nesyri foi imediatamente invalidado por fora de jogo.

Quando, daqui a uma semana, as equipas se voltarem a encontrar na Luz, para aí se decidir tudo, será um outro jogo. Certamente difícil, porque este Fenerbahçe tem muitos bons jogadores. E cada vez mais. Hoje já teve mais Nelson Semedo. Na próxima semana terá ainda mais um ou dois.

E queria ainda ter Akturkoglu, por tudo isso a figura do jogo desta noite.

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