Fim de linha
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Já não há palavras para o que se está a passar com o Benfica. É um pesadelo, sem que haja forma de acordar.
Hoje não foi apenas mais do mesmo em que se tornou a equipa de Bruno Lage. Foi ainda pior. A equipa voltou a surgir sem futebol, sem ideias, sem força, e sem alma.
Na primeira parte foi igual ao que tem vindo a ser de há cerca de seis meses para cá. A deixar passar o tempo, como se não tivesse um jogo para ganhar.
Saiu para o descanso a perder, com um golo sofrido em cima do intervalo. Oferecido, infantilmente oferecido por Nuno Tavares, que não mais recuperou desse erro.
Regressou para a segunda parte como há muito se não via. Parecia que finalmente com vontade de dar a volta às coisas e ao jogo. Pressionando o adversário, correndo, metendo velocidade no jogo e com algum acerto. Por obra de uma subida de rendimento dos jogadores, mas também da trocas que Bruno Lage promoveu ao intervalo, com as entradas de Vinícius e Zivkovic (finalmente!) para os lugares dos ineficazes Seferovic e Gabriel.
Valeu-lhe, essa entrada, o empate. Só que, pouco depois, mais um canto - o sexto, todos concedidos em evidente tremideira - e ... costume: golo entre os centrais. Inesperadamente a equipa reagiu e deu a volta ao marcador. Em dois minutos, Vinícius fez dois golos. O mais difícil estava feito!
Só que com esta equipa nunca nada está feito. A tremideira continuava lá atrás, e Rúben Dias, desequilibrado (em falta?) numa disputa no ar com um adversário no seguimento de um lançamento lateral, levanta a mão para as alturas. E para a bola - penalti e empate, de novo. Faltavam oito minutos para os 90, a que haveriam de acrescer mais seis. Mas percebeu-se que a equipa já não tinha alma para mais. Em vez de procurar reagir, entregou o jogo ao Santa Clara. Que, já no período de compensação, à beira do fim, no mais inacreditável dos lances do jogo em que os dois centrais chutaram sucessivamente a bola um contra o outro, marcou o quarto (!!!) e ganhou o jogo.
Como se tudo o que acabara de acontecer não fosse suficiente mau, na conferência de imprensa Bruno Lage fez o resto. E fez o seu haraquiri em directo, acusando os jornalistas de se andarem a vender por uns almoços, uns jantares e umas viagens a todos os treinadores que estão interessados no seu lugar.
É o fim de linha. Para Lage, mas também para alguns jogadores. E para o presidente Vieira que, para além de ser responsável por esta desgraça, tinha dinheiro para a OPA, mas já precisa de um novo empréstimo obrigacionista. E com custos muito acima do que é a realidade actual dos mercados financeiros. E de antecipar receitas das transmissões televisivas. Que deveriam caber a exercícios de mandatos futuros, que deveriam pertencer a futuros presidentes!
E o fim da ilusão do campeonato, que apenas durou até agora por ter vindo a ser alimentada pelo rival. Que hoje, embalado por mais dois penaltis que desta vez não falhou chega, nesta altura, com três pontos à maior, a uma vantagem que ainda nunca alcançara neste campeonato.