Gil Vicente 1 - Benfica 2
À 24º jornada do campeonato, antes da recepção ao Porto, no próximo domingo, o Benfica deslocou-se a Barcelos para disputar, num campo esgotado (mais de 11 mil nas bancadas) e cheio de adeptos benfiquistas, com o excelente Gil Vicente, de César Peixoto, uma partida de elevado grau de dificuldade. Pelo que tem sido o desempenho do Gil na competição, mas também o do Benfica. Que, em vésperas do penúltimo clássico, e a sete pontos de distância do primeiro lugar, está proibido de perder mais pontos.
O jogo confirmou as dificuldades esperadas, com o Gil a a tomar a iniciativa do jogo e a superiorizar-se no primeiro quarto de hora de cada parte do jogo. No resto defendeu, como pôde.
Curiosamente o jogo acaba por se poder dividir em quartos de hora. E tem seis!
O primeiro quarto de hora foi de domínio da equipa de César Peixoto, a partir de uma forte pressão alta que entupiu o futebol de um Benfica lento, indefinido e obrigado ao lançamento longo. O Benfica até tinha mais bola, mas em posições muito recuadas do campo. Sempre que o Gil recuperava a bola saía rapidamente para o contra-ataque ... e rematava. Os quatro remates que figuravam nas estatísticas da primeira parte vêm desse primeiro quarto de hora.
À entrada do segundo quarto de hora já o Benfica se começara a libertar da teia gilista e, mais ainda que a equilibrar o jogo, a controlá-lo. E logrou, logo ao primeiro remate, já aos 18 minutos, a primeira grande oportunidade de golo do jogo, num remate de Rafa (a comemorar os 300 jogos no campeonato nacional) defendido por instinto por Lucão, o guarda-redes, com os pés.
É certo que o Gil Vicente continuava a condicionar o jogo do Benfica, que não conseguia fazer a bola chegar em condições a Rafa e Pavlidis. Mas o controlo do jogo era já claramente da equipa que hoje vestia de branco.
Quando a primeira parte entrou no último quarto de hora já o Benfica tinha passado do controlo ao domínio completo do jogo. Foi como se tivesse aberto o frasco ketchup dos remates, e das ocasiões de golo. Quando António Silva marcou - mas que também poderia ter sido Pavlidis -, aos 35 minutos, já Dahl rematara e poderia ter marcado. Já o conhecido (dois pontos em Braga, com o golo anulado) João Gonçalves (via verde para os jogadores do Gil, e sinal amarelo para os do Benfica, durante todo o jogo), o árbitro, e o conhecidíssimo Tiago Martins, o VAR, tinham deixado passar um penálti por marcar. E já um defesa do Gil tinha desviado da baliza o remate, de cabeça, de Schjelderup, provocando o canto que acabaria no golo.
O golo não interrompeu o melhor período do Benfica no jogo, que se prolongou até ao intervalo. E que só não deu outra expressão ao resultado porque Pavlidis está divorciado dos golos. Logo a seguir atirou à barra da baliza do Lucão.
Ao intervalo, o Benfica - que tinha mais bola, o dobro dos remates, e com quatro claras oportunidades de golo - justificava resultado mais amplo. E tranquilo.
O Gil Vicente - que ao intervalo também perdia com o Sporting e com o Braga - tentou recuperar a entrada inicial para a segunda parte. Não se sabe se o conseguiria porque o Benfica, desconcentrado, ofereceu-lhe o empate praticamente de imediato.
Creio que o problema foi Mourinho não ter substituído Aursnes, preso por arames, como se percebia, ao intervalo. Logo no arranque da segunda parte, quando o adversário reagia claramente à desvantagem, o médio norueguês sentou-se no relvado. Estava a ser substituído pelo Enzo Barrenechea quando os jogadores do Gil Vicente, no lançamento lateral, repuseram rapidamente a bola em jogo, com os do Benfica a dormir. Todos, desde que a bola foi lançada até entrar devagarinho na baliza de Trubin, em posição caricata.
Inaceitável em contexto profissional. Seria lance para os apanhados, se não fosse demasiado sério e grave!
O Gil Vicente vinha programado para aquela reacção. O golo tinha sido um bónus, não havia por que não continuar. E repetiu-se o primeiro quarto de hora do jogo, só que, desta vez, com uma ou duas oportunidades que poderiam ter acabado em golo.
Já o Benfica, mesmo voltando a pegar no jogo a partir do fim do primeiro quarto de hora, não conseguiu exactamente repetir a primeira parte. Assumiu o comando do jogo ainda antes das substituições (Barreiro, pouco influente, por Rios, e o regressado, e inconsequente Prestianni, por Lukebakio), a meio da segunda parte, e sem grande resultado. E marcou à segunda oportunidade, depois de mais um falhanço clamoroso de Pavlidis em cima da linha de golo, num golaço de Schjelderup (o melhor em campo, ele que até começou o jogo bastante mal), pouco antes de se fechar o segundo quarto de hora, e quinto do jogo.
O último quarto de hora, com mais os 4 minutos de tempo extra, foi passado com o Gil tentou a tentar voltar a chegar ao empate - tentativa esgotada no remate de ressaca, bem de fora da área, do central Konan, para uma boa defesa de Trubin -, e o Benfica a tentar segurar o resultado.
No fim, a inédita quarta vitória consecutiva no campeonato real, num triunfo complicado e sem grande brilho. Mas merecido e justo, sem penáltis fantasmas, como o que o tal Iancu Vasilica, na sexta-feira, no Dragão, deu a vitória, e mais dois "virtuais" pontos ao Porto, para o campeonato real.