Greve geral

O país está parado. Dizem, de um lado. Nem se nota que é dia de greve, dizem de outro. As centrais sindicais falam de uma das maiores paralizações de sempre, com três milhões de trabalhadores em greve. O governo garante que "o país está a trabalhar", sem que Montenegro negue "que uma parte está a exercer o seu legítimo direito à greve". Só que, garante, essa é a parte minoritária.
É sempre assim, não há qualquer novidade. A propaganda sobrepôe-se sempre à realidade. E normalmente a do governo ganha em exagero às outras todas.
Esta é 11ª greve geral desde que este direito foi restabelecido, com o 25 de Abril, mas apenas a quinta promovida em conjunto pelas duas centrais sindicais, UGT e CGTP. A primeira aconteceu em 1988, em pleno cavaquismo; a última em 2013, no governo de Passos - o recordista de greve gerais, com quatro -, nos tempos da troika. Ambas, exactamente como a de hoje, tendo por obejcto de luta o pacote laboral.
Já então também Cavaco não deu por nada, e chamou-lhe "greve parcialíssima".