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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Acho que um dos piores defeitos dos portugueses é a inveja. Como se ser invejoso já não fosse atributo suficientemente deplorável, a inveja arrasta ainda uma vasta série dos piores defeitos: a preguiça, a maledicência, a cobardia…

Isto bastaria para que eu me declarasse não invejoso e, mais, com raiva dos invejosos!

Portanto não tenho inveja nenhuma do Dr António Mexia, pessoa cujo currículo profissional admiro sem qualquer reserva. O que, ao contrário do que ele diz, não me impede de criticar o absurdo do abuso do tão badalado prémio de 3,1 milhões de euros que recebeu da EDP relativo ao exercício económico de 2009.

Não é por achar absurdo, particularmente inoportuno e mesmo ostensivamente ofensivo um prémio daquela dimensão que passo a ser invejoso. E não aceito que venha o Sr Mexia, que deveria ter pudor, recato e respeito pelos compatriotas que passam sérias dificuldades, chamar-me invejoso!

Também não sou dos que acham que é fácil gerir as empresas monopolistas e que se mantêm à sombra do Estado (ou será o Estado à sombra delas?) depois da privatização. E que sendo tão fácil não faz sentido procurar os melhores para a sua gestão.

Não, acho precisamente o contrário: é nestas empresas fáceis de gerir – EDP, Galp, PT, etc., onde recursos não faltam e a concorrência não aperta – que as grandes asneiras mais facilmente são tapadas. Maus gestores à frente destas empresas conseguem fazer mandatos sucessivos de decisões desastradas sem que os resultados os denunciem. Porque dão para tudo!

É aqui que são necessários os melhores gestores, naturalmente pagos em conformidade. Mas não em obscenidade! Para tirar resultados do potencial destas empresas, afinal das poucas que o país tem com dimensão internacional.

Não é também por aqui que me apanham. Isto é, ao criticar o prémio do Sr Mexia, não só não estou a ser invejoso, como não estou a ser populista nem a apanhar aquela onda da facilidade desprevenida. Estou, apenas e mais uma vez, a denunciar um abuso socialmente inaceitável e a utilizar a minha obrigação cívica de o condenar!

Sendo esta uma polémica que já não é nova, acredito que os meus mais fiéis leitores (se é que os tenho, mas presunção e água benta …) se estejam a interrogar sobre a oportunidade do tema: “mas por que é que este tipo foi agora pegar nisto, quando já quase toda a gente se tinha esquecido?” - admito que perguntem.

Por uma simples razão: é que o próprio Mexia, sentiu necessidade de, um pouco à maneira das estrelas nas revistas cor-de-rosa, vir limpar a imagem. Então encomendou – se não foi encomenda pelo menos parece – uma entrevista à Revista Única onde foi colocado numa posição super star doutra galáxia. Que tudo legitima e a quem tudo se perdoa!

Como fica sempre bem dar um ar de subida a pulso – esta é mais uma das especificidades do ser português, não perdoamos a quem salte directamente para o topo – a entrevista mostra-nos um Mexia deveras peculiar. Que foi estudar para Suíça porque, note-se, não tinha dinheiro. Mas porque tinha lá amigos. Que teve de trabalhar como modelo, mas também a vender roupa e até de carteiro. Bem ... era a meias com um amigo, e se calhar não era bem carteiro. Mas cujo avô era embaixador e negociador de tudo o que de importante foi negociado no seu tempo. E a família tem um título de nobreza: Conde de Arganil. Mas não nascera num berço de ouro: ia de boleia para o norte da Suíça, fazer esqui…

Não Sr António Mexia, não é preciso fazer estas piruetas. Não é com papas e bolos… Sabe bem que outra das coisas que caracterizam os portugueses é a memória. Curta!

Já todos se tinham esquecido… Não havia necessidade de nos vir chamar invejosos!

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