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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

A actual situação política, económica e social do país faz convergir os portugueses na responsabilização da classe política. Na descredibilização dos partidos e do próprio sistema político. Hoje os portugueses não têm dúvidas em apontar os partidos, e em particular os partidos do sistema ou do arco do poder, como os grandes culpados da situação a que o país chegou.

Os sucessivos escândalos que envolvem a classe política – desde a óbvia corrupção, confirmada ou apenas suspeita, à cadeia de favorecimentos à volta do poder, passando pela incompetência nas decisões – mais não fazem que agravar a perspectiva que os portugueses têm dos políticos.

Isto é, nós portugueses não só responsabilizamos a classe política clássica, do governo à oposição, pelo buraco em que o país está metido como, dada a conta em que os temos, ainda lhes não reconhecemos qualquer capacidade para nos tirarem desse buraco.

E, no entanto, pelo que vamos vendo pelas sondagens, tudo indica que o comportamento dos portugueses, na hora de fazer uso do mais decisivo instrumento que a democracia lhes disponibiliza, se dispõem a entregar o seu voto como se nada disso fosse verdade. Parece que, ao contrário do que se passou há pouco mais de um ano, penalizam um pouco mais o governo, é certo. E premeiam o principal partido da oposição, contrariando o discurso generalizado, como se o nosso sistema político mais não seja mais que um circuito de vasos comunicantes. Fazem como precisamente sempre fizeram até aqui!

Entretanto, e perante o tsunami de sacrifícios exigidos sempre aos mesmos, lado a lado com os milhões que se enterram no BPN, ou com a antecipação dos milhares de milhões de dividendos para fugir aos impostos do próximo ano, alguns tentam dar umas alfinetadas. Tentam espevitar uma imensa mole humana meia anestesiada, que acusam de mansos e incapazes de vencer a inércia para se mexerem e protestar. Dar um safanão em tudo isto. Gritar bem alto e esbracejar para que eles vejam que existimos e que somos capazes de muito mais do que simplesmente aguentar com a carga que nos põem em cima.

É neste quadro que decorre a campanha para as próximas eleições presidenciais, supostamente um período de intenso debate.

E o que vemos?

Vemos a comunicação social a levar ao colo o actual Presidente da República e candidato maior do regime. Vemos os media a estabelecer as balizas do discurso da campanha exactamente à medida dos poderes presidenciais: se alguém toca num qualquer problema é logo acusado de ignorante ou mesmo de demagogo, porque bem sabe que aquilo não cabe nos poderes do presidente. Como se ao eleitorado não interesse saber o que pensa um candidato dos problemas do país. Como se as decisões do presidente, dentro da sua esfera de poderes, se não enquadrem num pensamento político, em opções ideológicas ou simplesmente em valores.

Vemos que o caso BPN, mesmo que plenamente justificado pela actualidade – início do julgamento, insucesso da operação de venda, insucesso da gestão após nacionalização, mais 500 milhões para as aflições (apenas para mais uma aflição, porque não cobre sequer um terço do valor negativo dos capitais próprios, portanto não resolve problema nenhum) – não pode ser trazido a debate. Que é jogo sujo, populismo, demagogia … É até tiro no pé!

E vemos o único candidato vindo de fora do sistema, aquele que parecia ter todas as condições (um assinalável capital de prestígio e um total descomprometimento com o sistema) para protagonizar uma candidatura de rotura e de esperança numa nova forma de fazer política e de, em última instância, fazer implodir o edifício velho e caduco que alberga este sistema político podre, doente e viciado tornar-se, num ápice, parecido com os outros. Com os mesmos tiques, praticamente o mesmo discurso, os mesmos truques…

Vemos uma esperança transformar-se numa desilusão. E a comunicação social a falar de falta de experiência política sempre à luz de um padrão que segue um guião amarrotado, bafiento e falido!

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