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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Embora às vezes possa parecer, isto não tem nada a ver com tortura. Nem com nada de psicológico!

Não significa isto que, para o chicoteado, a coisa não represente um castigo sério. Mas nada que se compare com coisas que ainda se vêem por esse mundo fora, ainda cheio de chicotes e de chicoteadas. Ou mesmo com o que se passa para aí com uns jogos meio esquisitos ligados a um tal Marquês de Sade!

Chicotada psicológica é a expressão que o futebolês encontrou e consagrou para se referir ao despedimento – que, curiosamente, também prefere chamar de afastamento: no futebol as pessoas não são despedidas, são afastadas como se sofressem de um mal altamente contagioso – do treinador. Quando os resultados não aparecem, seja lá pelo que for, quem paga é o treinador. Torna-se rapidamente numa figura peçonhenta que há que afastar quanto antes, na esperança de que chegue outro que vire tudo de pernas para o ar. Que ponha os jogadores a correr, que transforme jogadores medíocres em grandes craques e derrotas em vitórias. Como se fosse o rei Midas!

Às vezes até resulta. Mas só raras vezes!   

Tratando-se de um despedimento, mesmo que tratado por afastamento, e sendo o treinador o sujeito passivo, evidentemente que quem despede – o sujeito activo – é o patrão. Seja lá quem for!

É o presidente – não o que se vai agora eleger – o do clube! Mas também pode ser o patrão da equipa. Quantas vezes são os jogadores – este ou aquele – a afastar o treinador. Ou os adeptos que, apesar de se limitarem a pagar uma quota que não dá nem para pagar a água do duche dos jogadores no fim de cada jogo, se acham sempre os donos do clube. E, portanto, o patrão que pode despedir.

Tem-se visto de tudo: quando o Luís Filipe Vieira afastou Fernando Santos, não foi ele. Foram os adeptos do Benfica que, apesar de benfiquista, nunca lhe perdoaram que antes tivesse andado pelo inimigo. Pelo Porto, onde atingiria o cognome de engenheiro do penta, e pelo Sporting, onde teve a sorte de quase todos os outros. Achavam que o Camacho era o D. Sebastião e deu no que deu…

Aprendeu o presidente do Benfica. Ao ponto deste ano ter sabido segurar o Jesus!

No Porto … bem, no Porto manda Pinto da Costa e pronto! Manda e manda-os embora quando lhe apetece. Aqui há uns anitos foram três numa só época. Depois veio o Jesualdo e, por muito que o pessoal não gostasse dele, lá o aguentou uns 4 anos. Enquanto ganhou, claro. Logo que, pela primeira vez, não ganhou…

Mas onde a chicotada psicológica atinge o rubro – ironia das ironias: atinge o rubro atingindo o verde – é no Sporting. E aí não há dúvidas: desde Sousa Sintra que, esse sim, não deixava os seus créditos por mãos alheias (foi Robson, Carlos Queirós, então ainda dentro do prazo de validade, e sei lá mais quem), que quem manda são os adeptos. É um clube diferente, como bem sabemos!

Bem diferente: umas vezes é a malta mais nova da Juve Leo a fazer o trabalho. Outras é o pessoal mais maduro! Por isso é que as coisas dão para o torto: às vezes uns afastam o que outros querem manter para sempre: forever!

Mas a provar que diferente mais diferente não há, aí está a chicotada no próprio presidente. Pois é, agora afastaram o José Eduardo Bettencourt. Que não só não resistiu à sua falta de jeito para estas coisas da bola – três treinadores e cinco responsáveis pelo futebol em apenas ano e meio, transformou o melhor jogador dos últimos (largos) anos numa maçã podre e, depois, num profissional muito competente e multiplicou os tiros no pé – mas, principalmente, não resistiu à vocação de presidente adepto.

Muito adepto e pouco presidente!

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