Há 10 anos
Mais do que saber quem ganhou – e desde já adianto que, em minha opinião, Louçã ganhou o debate desta noite com Sócrates – parece-me importante fazer notar que foi um debate que teve como pano de fundo o combate com o PSD.
Sócrates tinha Louçã à sua frente – um já velho ódio de estimação e precisamente quem mais eleitorado lhe tem roubado – mas mostrou-se mais preocupado com o PSD. Poderá dizer-se que é normal, que é uma questão de focalização no adversário principal e de uma estratégia de marcação cerrada, directa e impiedosa. Que, de resto, já também havia sido seguida ontem por Pedro Passos Coelho no debate com Jerónimo de Sousa. Pois, mas pese o tom cordato, amigável e avesso ao confronto que o marcou, não foi bem assim!
Poderá também dizer-se que Sócrates sente que as sondagens estão a apontar para uma quebra significativa do Bloco de Esquerda, e que, de acordo com as teses maioritárias – que eu não subscrevo, como já aqui dei conta – tal quebra resulta de uma transferência de votos que o benificia directamente. Do regresso a casa de muitos dos votos que fugiram em 2009! E que este sentimento lhe terá reforçado a convicção de que seria mais rentável aproveitar o debate para atacar o ausente do que propriamente para se bater com o adversário que tinha ali à sua frente.
Mas não foi nada disso! Até porque Louçã não perdeu tempo a estudar o adversário: entrou ao ataque. Tão decididamente que me pareceu justificar a atribuição da sempre tão discutida vitória no debate!
