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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Há 10 anos

 O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

Na semana passada falou-se de ponto de viragem. Nesta diz-se que é preciso um segundo plano de resgate!

Na semana passada achamos estranha aquela mensagem de optimismo do ministro das finanças. Até porque, na anterior, ele mesmo tinha entrado naquela rábula do défice para este ano, no meio da qual eram, e logo deixavam de ser, necessárias adicionais medidas de austeridade.

De fora, dizem-nos que isto não está a correr bem. Antes pelo contrário! Di-lo a imprensa internacional, dizem-no os organismos internacionais e di-lo o risco de bancarrota do país que não pára de subir e já vai nos 67%. De dentro, do governo, começa a perceber-se um forte desnorte, com o primeiro-ministro a garantir que não há nada para renegociar e o ministro das finanças a irritar-se com as questões – já não dá aquelas respostas pausadas, como que a fazer o desenho para os atrasados mentais perceberem – e a deixá-las sem resposta. Tem que ser o ministro da economia – o super acossado Álvaro, vejam bem - a dar a cara e a dizer qualquer coisa. Pouca coisa e nada de relevante!

Os sinais que vêm da União Europeia também não ajudam. Ouvir agora o Sr Olli Rhen - porque começa a ver as barbas a arder – dizer que a solução da crise passa pelo crescimento económico, é desarmante!

O país está sem sentido. Em pleno ciclo vicioso da austeridade e da recessão - há muito e por muita gente avisado – e sem saídas à vista, o país precisava, mais do que nunca, de uma referência. Uma referência que, no xadrez político nacional, só pode encontrar-se no Presidente da República!

Se há alturas em que se sente a falta institucional do Presidente esta é, sem dúvida, uma delas. Não é para promulgar leis e decretos, para cortar fitas ou para discursar no 25 de Abril, no10 de Junho e no 5 de Outubro que o PR faz falta. Faz falta, e tem oportunidade de justificar e honrar a função e o título de mais alta figura do Estado, nestas alturas, quando o país está perdido, sem sentido e sem destino…

Pois é! Quando o país olha à volta e procura o Presidente o que é que encontra?

Encontra um Presidente kamikaze. Um Presidente que mais parece o comandante Schettino do Costa Concórdia – a sua estória das reformas, na forma e no tempo, tem lá tudo o que foi o indigno comportamento de Schettino – que abandona as suas responsabilidades e trai a sua honra porque, em vez de último é, sem olhar a meios e sem escrúpulos de qualquer espécie, o primeiro objecto do seu pensamento. Encontra um Presidente desrespeitado porque sucessivamente se não se deu ao respeito. Um Presidente achincalhado, literalmente de mão estendida, na valeta ou à porta do metro!

Sou um velho crítico de Cavaco, nunca lhe apreciei a forma e raramente me revi no conteúdo, mas não é por isso que não repudio os abusos de que sua imagem vem sendo objecto. Mas, mais que repudiar na simples esfera dos sentimentos ou do bom gosto, repudio esta degradação da imagem do presidente pelo que contribui para o desnorte do país.

Os portugueses – os que votaram em Cavaco há apenas um ano, os que nem sequer quiseram dar ao trabalho ir votar (não nos esqueçamos dos 56% de abstenção) ou os que já assinaram a petição para a sua demissão – não conseguem olhar para aquelas imagens e, ao mesmo tempo, acreditar que está ali o seu porto seguro, a referência que procuram, alguém capaz de desenhar pequenos mas decisivos pontos de equilíbrio na sociedade portuguesa.

Cavaco fez tudo para merecer isto! Se calhar nós também…

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