Há 10 anos
Acredito que Pedro Passos Coelho tenha gostado de se ver na televisão. Com o grau de inconsciência de que voltou a dar prova, é bem possível que esteja satisfeito com a sua prestação e convencido de se safou bem.
Se assim for, também aí está errado!
É certo que a tarefa era bem difícil. Depois do erro tremendo da TSU não era fácil minimizar danos: pela dimensão do próprio erro mas, fundamentalmente, porque era requerida uma inteligência política que claramente não está ao seu alcance.
A entrevista apenas piorou os cenários que já estavam traçados. E confirmou um primeiro-ministro sem ideias, sem preparação técnica e política para a função, que lança medidas sopradas por advisers sem qualquer filtragem – técnica, política ou de simples bom senso – e sem percepção das respectivas consequências.
A tentativa de justificação da medida da TSU chegou a atingir o ridículo: Vítor Gaspar tinha lançado aquela ideia inacreditável de controlar uma conta na qual as empresas guardariam os valores da TSU retirados às famílias; pois, Passos Coelho juntou-lhe agora a repercussão nos preços. Como funcionaria isso? Através das entidades reguladoras - respondeu com convicção -, as mesmas que tem deixado à rédea solta nos combustíveis e na energia… Para rir, se não fosse dramático!
Não explicou, mas também não lhe perguntaram, por que é que ainda há poucas semanas, no Pontal, tudo corria bem. E passou para o discurso da ameaça: para o eterno ou eu ou o caos…
Sobre a privatização da RTP, depois de tudo o que tem feito correr, teve o desplante – não pode ser outra a expressão – de referir que está à espera das propostas dos advisers. Mau, francamente mau!
Mas a entrevista tem uma novidade: ou apanhou Paulo Portas ou abriu-lhe a porta com que ele vai bater!
Ah! Seguro também chamou as televisões à hora do telejornal, pouco antes da entrevista. Lamentável e também com o seu tesourinho deprimente: um imposto sobre as PPP!
Que desgraça…