Há 10 anos
A disputa interna no PS, e a marcação da data do congresso – antes ou depois das autárquicas é a questão - transformou-se rapidamente no tema da semana.
Sempre me pareceu óbvio que seria do interesse de Seguro marcá-lo para depois das próximas eleições de Outubro: os resultados do partido serão necessariamente bons, penalizando o partido no governo, como sempre acontece. Em Lisboa, ainda e sempre o resultado mais relevante, Seguro ganharia sempre: ganharia se Costa ganhasse, ganharia se Costa perdesse e ganharia ainda se Costa não ganhasse nem perdesse. Porque ganhando, ganharia o partido. E perdendo, mais do que perder o partido, perderia o seu rival. Se António Costa decidisse não ir a jogo, o PS ficaria sem candidato ganhador. O partido perderia provavelmente Lisboa, o que não deixaria de ser levado a débito do actual presidente da Câmara de Lisboa, por ter colocado os seus interesses acima dos do partido.
António Costa, pelo contrário – evidentemente – teria interesse em que o Congresso precedesse as eleições autárquicas. Porque Seguro não teria oportunidade de tirar partido da expectável vitória eleitoral e porque não seria ele próprio obrigado a expor-se a um resultado eleitoral, com o qual tem pessoalmente pouco a ganhar e muito a perder. Ficando ainda com grande espaço de manobra para lidar com a gestão da sua decisão sobre a recandidatura a Lisboa.
Curiosamente não é esta a perspectiva da maior parte dos comentadores encartados. Marcelo Rebelo de Sousa, que os comparava, ontem, à tv a cores (António Costa) e a preto e branco (Seguro) entende precisamente o contrário. Mas a verdade é que não explica porquê, limitando-se a concluir que, numa disputa antes das eleições, António Costa sairá derrotado, embora argumente que, "para Seguro, é ideal a eleição do líder ser antes das autárquicas, porque apanha António Costa no meio de duas corridas: PS e Lisboa”.
Não me parece que o argumento colha. Até porque, como já se percebeu, António Costa já descartou Lisboa. Utilizou-a para se esconder há dois anos atrás, permitindo que esta ” tv a preto e branco” chegasse à liderança do partido, porque o único cheiro que captava era o da areia do deserto. Descarta-a agora, que o cheiro a poder entra pelas narinas dentro!