Há 10 anos
Estava o Prof. Sebastião a queimar os últimos cartuxos da nobre tarefa de vigiar e olhar pela livre concorrência, quando, de repente, alguém lhe entra pela porta dentro com o firme propósito de lhe quebrar a tranquilidade que tão bem soube gerir nos últimos 5 anos. Que também nos outros lhe não terá faltado…
O Barcleys, a braços com umas trapalhadas com a fixação de taxas de juro – da libor, em concreto – lá por Londres, sabendo das maroscas que por cá se fazem mas, vá lá saber-se porquê, não sabendo – ou parecendo não saber – que por cá ninguém liga a isso, resolveu denunciá-las.
E pronto. Lá se foi o descanso do Prof, Sebastião. É que agora não tinha alternativa: era um deles a chibar-se… Não podia mesmo assobiar para o lado!
O Prof. Sebastião, que nunca viu nem tão pouco desconfiou de qualquer violação das leis de concorrência, que nunca sequer achou necessário investigar os preços dos combustíveis, garantindo sempre ali não havia gato nenhum, era agora obrigado a investigar os bancos. Logo ele, que está apenas a dias de regressar à sua tranquila secretária do Banco de Portugal, certamente morta de saudades por cinco anos de afastamento.