Há 10 anos
A Irlanda conclui o seu programa de resgate a 15 de Dezembro e já comunicou que conclui mesmo, sem sofismas. Acabou. Ponto final!
Quer isso dizer que o célebre Programa Cautelar não é para lá chamado, com muita pena do governo português. Os irlandeses – e não me refiro ao governo, refiro-me à opinião pública – sabiam bem que era essa a única saída, que Programa Cautelar ou Segundo Resgate são uma e a mesma coisa. As pequenas nuances que os podem separar não alteram em nada a submissão e o garrote!
A Irlanda partiu de base diferente, os seus problemas eram diferentes – o seu problema era o sistema financeiro, enquanto o nosso, começando na economia, rapidamente passou também para o sistema financeiro - mas também fez diferente e esteve sempre mais bem colocada ao longo do programa. A economia irlandesa goza de uma série especificidades que fazem uma grande diferença para a economia portuguesa, mas que, comparadas com as de que Portugal poderia potencialmente dispor são pouco mais que irrelevantes. Simplesmente a Irlanda usa as vantagens comparativas de que dispõe, enquanto Portugal mantém virtuais as suas vantagens potenciais.
A Irlanda não tem os problemas do seu sistema financeiro resolvidos, coisa que os testes de stress que se avizinham virão demonstrar. Mantém um défice orçamental altíssimo, muito acima do português, e “apenas” – é isso o fundamental – leva vantagem nas actuais taxas de juro do mercado, pouco acima dos 3%, contra a nossa pouco abaixo dos 6%.
A Irlanda percebeu que o melhor programa cautelar era pôr ponto final nisto. Que, á cautela, o melhor era ir andando...
Entretanto nós por cá vêmo-nos cada vez mais gregos!