Há 10 anos
Sabe-se como nós, portugueses, somos muito dados ao messianismo, criamos mesmo uma versão portuguesa - o sebastianismo. Esperamos por D. Sebastião durante séculos, mas em vez do jovem rei, que deveria chegar numa manhã de nevoeiro cheio de pó do deserto, chegou-nos um menos jovem, desempoeirado e fresco que nem uma alface do interior da Beira. Por cá reinou durante 50 anos, transformando o país numa remota aldeia rural afastada do mundo e do futuro, onde nos manteve em cativeiro feitos prisioneiros da ignorância. Partiu, por obra e graça de uma cadeira que também se partiu, mas deixou marcas que não se apagam. O país saltou os muros da aldeia, abriu-se ao mundo e deixou entrar o futuro... Mas os prisioneiros deixaram-se ficar, fiéis à ignorância. Conhece-se hoje o fenómeno, chamam-lhe síndroma de Estocolmo!
E como orfãos procuraram novos Messias. Sem grande critério, sem grande exigência. Tudo tem servido... O José Gomes Ferreira, com programa de governo e tudo. E, claro, o Medina Carreira, o taxista a quem bastava uma hora de televisão para mudar o país...
Que depois de centenas de horas, em todas as estações e horários, desistiu. Não da Televisão, que paga bem, mas de mudar o país. Isso deixou agora para Pinto da Costa!
Falta-lhe sentido de oportunidade, esta não será a melhor altura para entregar a Pinto da Costa o que quer que seja. Mas sabe-se que o país sempre teve problemas de pontualidade, e nem por isso deixou de chegar aqui, a quase nove séculos de vida. Um taxista experimentado tem sempre por onde sair...