Há 10 anos
Aprovado o programa de governo, ultrapassada toda a excitação que marcou este último mês e de regresso à normal espuma dos dias, aí temos António Costa de volta à quadratura do círculo.
Não, não estou a dizer que esteja de regresso a essa velha tertúlia mediática que a televisão herdou da rádio, e donde saiu exactamente para chegar onde está. Não estou a dizer que vá voltar a sentar-se na cadeira que deixou para o Jorge Coelho, onde é bem melhor na arte de mexer os cordelinhos da intriga política. Estou mesmo a falar do velho desígnio do PS que tende a eternizar-se na missão impossível de dar ao círculo a forma de quadrado.
Aí está, logo na primeira entrevista como primeiro-ministro: "Não temos condições para eliminar integralmente a sobretaxa para todos". O problema é que, não eliminar a sobretaxa para todos, é precisamente não eliminar a sobtretaxa. Porque eliminá-la para os 2/3 que pagam 67 cêntimos por ano, não resolve nem uma coisa nem outra. E mantê-la apenas para os 0,23% dos portugueses que têm rendimentos anuais acima dos 80 mil euros não resolve as tais condições financeiras.
Acreditem que cheguei a pensar que António Costa estivesse decidido a aplicar-se noutros exercícios. Para andar às voltas com a quadratura do círculo mais vale entreter-se com as palavras cruzadas. Pelo menos poupa-nos à demagogia!
