Há jogadores e há substituições!
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Os benfiquistas não andam exactamente felizes com o desempenho da equipa, e a Luz ficou abaixo dos 50 mil na recepção ao Moreirense, nesta 29ª jornada. Apenas 83 cima dos 49 mil.
O adversário é daqueles que mais complicam a vida ao Benfica. Seja lá por for - e a verdade é que não é fácil encontrar explicação - nos últimos anos o Moreirense tem sido sempre um adversário complicado. Os quatro empates, nos últimos quatro jogos, são prova disso mesmo. Roger Shmidt fez uma revolução na equipa, mantendo apenas três jogadores da equipa que iniciou o jogo com o Marselha, na passada quinta-feira. E fez outra ao intervalo, quando fez três substituições.
Talvez a aproximação do 25 de Abril, e os 50 anos da Revolução dos Cravos, estejam inspirar o treinador do Benfica. As revoluções são muitas vezes bem vindas mas, no futebol como no resto, se pudermos fazer as coisas pela evolução evitam-se alguns danos. Mas ... lá está - quando não há outra maneira de fazer as coisas é pela revolução que se tem que seguir.
Schmidt tem plantel para rodar a equipa, manter todos os jogadores motivados e rotinados no processo de jogo, sem ter necessidade de levar ninguém ao esgotamento físico. E mental. Mas tem preferido jogar sempre com os mesmos, com os resultados que estão à vista.
Do onze titular nos três jogos anteriores apenas Bah, João Neves e Neres se mantiveram. E até o último esteve a mais enquanto esteve. Não percebe por que o Trubin deu o lugar a Samuel Soares, mas nas revoluções nem tudo se percebe. Percebeu-se é que poderia ter corrido mal. O jogo até começou sem se dar por ele, mas em poucos minutos levou o pânico às bancadas. Que depois lho devolveram.
O primeiro quarto de hora teve pouca "estória", embora já desse para perceber que o Moreirense estava ali para honrar os seus pergaminhos. E que, inevitavelmente, o onze do Benfica não tinha rotinas. Os jogadores falhavam passes fáceis, curtos, não compreendiam os movimentos uns dos outros, e isso facilitava o trabalho dos "cónegos". Em vez de facilitar, o golo de Kokçu, aos 18 minutos - em transição rápida, claro - parece que dificultou ainda mais. E quem cresceu foi Moreirense, dando azo àquele período desconfortável para o guarda-redes do Benfica e para as bancadas, criando até uma clara oportunidade de marcar, naquela bola no poste que, depois, acabou num choque com Samuel Soares, que chegou a pôr Trubin a aquecer para entrar.
Para ajudar, depois foi Tomás Araújo, num corte precioso, a lesionar-se. E, pouco depois, foi Cabral a acordar a equipa, e as bancadas, com um grande remate à trave, desviada por uma enorme defesa do guarda-redes contrário. Só entãoque o jogo mudou. E Tomás Araújo, ainda em campo e lesionado (não regressaria, substituído por António Silva, numa das três substituições ao intervalo), marcaria o seu primeiro golo, e segundo do Benfica. Na sequência de um canto - pois, golos só em transições e bolas paradas - já no período de compensação da primeira parte.
Ao intervalo, o resultado era bem melhor que a exibição.
A segunda parte foi diferente, para bem melhor. E corrigiu essa sensação. Com 45 minutos de adaptação, a equipa apareceu mais entrosada e passou a jogar e a dominar por completo o jogo. Só marcou mais um golo, também o primeiro de Rollheiser (como é possível que Shmidt não tenha dado mais oportunidades?), já à entrada do quarto de hora final. Um belo golo, numa bela jogada. E um dos poucos em ataque continuado nesta época, que colocaria justiça no resultado de um jogo em que dispôs de nove oportunidades claras de golo.
De um jogo que demonstrou que há jogadores para fazer muito melhor do que aquilo que o Benfica tem feito. Tiago Gouveia, Rollheiser, Tomás Araújo, Álvaro Carreras, Kokçu e até Morato - ambos nos seus lugares -, e mesmo Cabral, provaram que "só" precisam de jogar. Que Schmidt, que finalmente fez as cinco substituições de que dispõe, dando até oportunidade a Spencer (mesmo fora da sua posição), mais um miúdo, se estrear na equipa principal, tenha percebido, é o que deseja!
Quando assim é, nem é preciso falar de arbitragens - um penálti claro num lance genial de Cabral, e um vermelho transformado em amarelo. Basta utilizar bem os recursos disponíveis, e todos saímos satisfeitos. Sem assobios!