Hamilton: a 104ª tardou mas chegou!
Depois de um jejum de quase três anos - vencera pela última vez em 5 de Dezembro de 2021(o ano fatídico que terminou com o domínio da Mercedes, no polémico primeiro título de Verstappen), na Arábia Saudita - Hamilton ganhou hoje, em Silverstone. Em casa.
A Mercedes, que já tinha ganhado a última corrida, há uma semana no Grande Prémio da Áustria, e confirmado que está de volta à competitividade, fizera a dobradinha na qualificação, com Russel na "pole" e Hamilton ao seu lado, na primeira linha. E bem poderia tê-la replicado no fim das 52 voltas, não fosse um problema de refrigeração no motor ter colocado Russel fora da corrida, a 18 voltas do fim.
A vitória de Hamilton - a 104ª da carreira - vem carregada de simbolismo. Por terminar com uma "seca" por que nunca tinha passado. Por acontecer 17 anos (e um mês) depois da primeira (no Canadá), e isso constituir mais um record para Hamilton, ultrapassando Kimi Räikkönen (15 anos, 6 meses e 24 dias, entre a primeira vitória no Grande Prêmio da Malásia, em 2003, e a última, no Grande Prémio dos Estados Unidos, em 2018). Por contrariar um dogma estabelecido na fórmula 1, segundo o qual ninguém ganharia depois de atingir os 300 Grandes Prémios. Por, já com contrato com a Ferrari para a próxima temporada, ser esta a sua última temporada na Mercedes. E por ser em casa, perante uma multidão tão cansada de esperar quanto ele próprio.
Para a fórmula 1 é também uma excelente notícia. Porque Hamilton é o sexto piloto a ganhar esta época, agora a meio. O sexto em 12 Grandes Prémios, o que rompe com a monotonia dos últimos três anos. Porque no pódio voltamos a ver três carros diferentes (Verstappen - Red Bull - foi segundo, Lando Norris - McLaren - terceiro). E porque, apesar da praticamente inultrapassável vantagem de Verstappen no Mundial de pilotos, que hoje voltou até a alargar, promete, para a segunda metade da época, o regresso à competitividade perdida, com a discussão das corrida aberta a quatro equipas. A Red Bull já não põe e dispõe das corridas a seu bel-prazer: tem que se haver com a Ferrari - intermitente, é verdade, mas sempre competitiva -, com a McLaren, regressada ao topo há precisamente um ano e, agora, com o regresso da Mercedes.