Indesculpáveis

Depois de ter dito o que disse não ter dito, Marcelo pediu desculpa pelo que disse. Indesculpável. Ficou a faltar-lhe pedir desculpa por ter dito que não tinha dito.
Mas percebe-se. Foi por ele ter dito o que disse que não tinha dito que, também indeculpável, António Costa veio em sua defesa, e dizer que não tinha nada que pedir desculpa, que os portugueses é que lhe deviam pedir desculpa.
Há quem ache que o primeiro-ministro quis "dar graxa" ao presidente. Não partilho dessa ideia, António Costa já não é aluno de Marcelo. Disputa-lhe o título de catedrático do jogo político. Na realidade quis manietá-lo. E, não querendo deixar-se manietar, Marcelo reagiu rapidamente a pedir desculpa.
Não é um sincero pedido de desculpas. É apenas a inevitável jogada de contra-ataque de quem se não deixou encostar às cordas pelo adversário.
Afinal, para ambos, é apenas o jogo que conta. E isso é também indesculpável!