Intervalo para a Taça
![]()
Decisivamente a Taça não é para o Benfica. Não. O Benfica não foi eliminado, não é isso. Apenas não parece a mesma equipa nos jogos desta competição.
Esta noite, de volta ao Estoril três dias depois, não jogou tão pouco como na eliminatória anterior, nas Caldas da Rainha. Nem passou pelos problemas que aí criou a si mesma. Mas nem por isso deixou de voltar a estar muito distante do nível apresentado no campeonato e na Champions.
Não há dois jogos iguais, diz-se no futebol. Mas este foi muito diferente daquele de há três dias, para o campeonato. Se não tem a ver - não pode ter - com qualquer parti-pris com a Taça, o sub-rendimento da equipa, e de praticamente todos os jogadores individualmente, terá que ter alguma coisa a ver com algum facilitismo induzido pelo que fez no jogo do passado domingo.
E no entanto Roger Schemidt não foi em cantigas, não facilitou. Ao apresentar o que tem sido o onze titular, sem sequer prescindir de Vlachodimos, contrariando aquela velha teoria da rotação dos guarda-redes, o treinador disse claramente que não contava com facilidades. Mas não deve ter conseguido passar essa ideia aos jogadores.
Notou-se logo pela entrado no jogo. O Estoril entrou a empurrar o jogo para o campo dos duelos na disputa da bola, e manteve-o assim durante todo o primeiro quarto de hora. Os jogadores do Benfica perderam praticamente todos esses duelos, o que permite admitir que Schemidt não tenha mesmo conseguido passar-lhes a ideia.
É verdade que, esgotado esse primeiro quarto de hora o jogo de duelos acabou, e o Benfica passou a controlá-lo em absoluto.
A viragem coincidiu com o remate de Grimaldo à barra da baliza do Dani Figueira, em mais um pontapé de excelência, na cobrança de um livre, mesmo à entrada do segundo quarto de hora da partida. O melhor período do Benfica, com três grandes oportunidades para marcar, a última com Rafa, isolado, e com tudo para marcar, a optar pelo poste mais próximo e a acabar por não acertar na baliza.
A partir daí, com o Estoril cada vez mais fechado - como nunca estivera no jogo do passado domingo - passou a ser notório que faltava inspiração, e até velocidade, aos jogadores do Benfica.
Logo no início da segunda parte, numa das poucas transições rápidas que o Benfica conseguiu realizar no jogo, Rafa, isolado, foi travado em falta pelo Chico Geraldes, obrigando o árbitro Veríssimo a deixar o Estoril reduzido a 10 jogadores. Se já só defendia, a partir daí só defendeu ainda mais.
O Estoril defendia com todos lá atrás. Ao Benfica faltava inspiração para abrir espaços, e eficácia para concluir nas jogadas em que os conseguia. E foi preciso que o guarda-redes do Estoril socasse mal uma bola, e que Neres fosse por uma vez bafejado pela inspiração que não abundava para, numa bicicleta espectacular, marcar o golo que valeu o apuramento, mas que nem por isso desbloqueou o jogo.
Faltava pouco menos de meia hora para o fim. E foi uma meia hora igualzinha à anterior. Com controlo absoluto do jogo, mas só isso!
Agora é só esperar que regresse o campeonato. E a normalidade ao futebol do Benfica. Porque depois vem a interrupção para o Mundial. E, depois, sabe-se lá o que virá!