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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Já não há toalha

O Benfica encerrou a primeira volta do campeonato com mais um desaire. Coisa assim já não se via há vinte anos, no 2001 da  pior classificação de sempre. Coisa assim, no ano de maior investimento de sempre, que Luís Filipe Vieira anunciara ser o da conquista da Europa, e Jorge Jesus de arrasar, nunca se tinha visto.

Fechava o calendário com a recepção ao Vitória, de Guimarães - que o outro já foi -, depois da derrota de Alvalade e do empate do Porto, na véspera, no Jamor com a equipa do B SAD, de Petit. E depois de Rui Costa, sem mais nada para dizer, se limitar pateticamente a proclamar que ninguém atirava a toalha ao chão. Quando já nem toalha há. Não podia passar pela cabeça de ninguém outra coisa que não fosse ganhar este jogo. Não havia espaço para outro resultado que não fosse a vitória, depois de quatro ou cinco jogos sem saber o que era isso. Só assim poderia amenizar a diferença para o Porto, manter o Braga à vista e, pelo menos, manter aberta uma engra da porta de acesso à Champions da próxima época.

O que se começou a ver com o arranque do jogo parecia indicar que a equipa estava consciente disso. Que queria e podia cumprir com essa tarefa. Mas rapidamente se percebeu que aquele futebol era como uma linda e vistosa vinha, cheia de parras viçosas, mas com muito poucas uvas. Para logo se conferir que aquelas poucas uvas não tinham sequer sumo.

Foi essa a imagem do futebol do Benfica da primeira parte. E não demorou a perceber que bonito aspecto da vinha nem sequer resultava do tratamento dos seus dirigentes, técnicos ou jogadores. A vinha parecia assim, bonita, apenas porque o adversário deixava que fosse assim. O Vitória chegou à Luz de autocarro - naturalmente - mas não o deixou na garagem. Levou-o para o campo. 

Acantonou-se na sua área defensiva e de lá não saiu. Deixou mais de 75 metros do comprimento do campo para os jogadores do Benfica, e fixou-se nos últimos 30. Foi isso que criou a ilusão da vinha bonita, que por baixo daquela parra havia de estar uvas, e uvas bem sumarentas e doces, capazes de dar bom vinho.

O Benfica fez quinze remates. Mais, só nos jogos, também na Luz, com o Tondela e com o Moreirense,  no único bom jogo desta época na Catedral. Mas, claras oportunidades de golo, nada... Uma, dizem as estatísticas do jogo.

Na segunda parte o treinador do Vitória achou por bem adiantar a equipa, e arriscar em dividir um pouco o jogo. E logo se viu claramente que o futebol do Benfica era só parra. Nem uvas tinha. E não foi por o adversário não deixar. Pelo contrário, com os jogadores mais adiantados, e a pressionarem mais a saída de bola, deixavam espaço para os jogadores do Benfica jogarem à bola. Se pudessem. Ou - sei lá - se soubessem...

Mas nada. Só que um nada mais incompreensível ainda. É que não marcar, e nem criar oportunidades para isso, contra uma equipa que defende com onze jogadores dentro da área, em que são tantas as pernas que a bola encontra muita dificuldade em se desviar delas, acontece muitas vezes. E às vezes acontece até aos melhores. Não criar uma real oportunidade de golo, não criar sequer um desequilíbrio, quando o adversário discute o jogo no campo todo, com a equipa obrigada a ganhar, é incompreensível.

Foi já no período de compensação, aos 92 minutos, que o Benfica criou a única oportunidade da segunda parte. Mas com aquela finalização do Pedrinho, a atirar a bola para a bancada a dois metros da baliza, nem dá vontade de lhe chamar oportunidade de golo. Ao contrário, no minuto seguinte, da do Mark Edwards, no terceiro remate da equipa minhota em todo o jogo. De resto foi nesses cinco minutos da compensação que o Vitória fez os três remates, que conquistou os dois cantos, e que Vlachodimos fez a sua única defesa.

E lá estamos sem toalha para atirar ao chão. O Sporting já lá vai, onze pontos pontos à frente. Coisa assim já não se via há ... 70 anos! O Porto já tinha também fugido, com cinco de avanço. O Braga também já passou. E o Paços já encostou. Veremos se demora muito a passar...

É responsabilidade do Luís Filipe Vieira? É, claro. Embebedou-se com o tetra, e achou que a partir daí os títulos cairiam do céu. Destruiu tudo o que o tinha levado até lá. Embrulhou a sua vida privada com o clube, fez dele o seu bunker de sobrevivência.

É responsabilidade de Jorge Jesus? É, claro. É hoje um treinador ultrapassado, preso a ideias de jogo do passado e prisioneiro das suas limitações. 

É responsabilidade de Rui Costa? É claro. Aceitou ficar refém de Vieira, e assistiu e assiste à  destruição do clube. É cúmplice, e estoirou com consensualidade de que durante muito tempo suscitou.

Mas é também responsabilidade nossa. De nós, benfiquistas. E especialmente daqueles que, com tudo à vista, escolheram não ver, e reeleger Vieira, há apenas três meses.

 

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