Juventus 2 - Benfica 0
E pronto ... a Champions também já foi. Fica por aqui, evidentemente que não há milagres!
O Benfica tinha de ganhar esta noite, em Turim, para manter acesa a chama imensa de prosseguir na prova mais importante do futebol de clubes. Não era tarefa fácil, mas até a História ajudava: a Juventus só por uma vez, há para aí 30 anos, lhe ganhara, e nem sequer foi na Champions, e perdera sempre nos últimos anos, e nesta mesma competição.
A História poderia bem ter-se repetido esta noite. O Benfica surgiu no Estádio da Juventus - sem adeptos do Benfica, mais uma vez penalizados pela pirotecnia dos vândalos - com vontade de que se repetisse. Com o mesmo onze de Vila do Conde, o tal com os jogadores nas suas posições, e com dois alas, controlou quase sempre o jogo e dominou-o durante muito tempo.
À pressão e intensidade com que a Juventus entrou, o Benfica respondeu com tranquilidade e concentração. A meio da primeira parte já o Benfica tinha dominado o ímpeto inicial da equipa italiana, e já estava claramente por cima do jogo. Ao intervalo o nulo era já o resultado da falta de eficácia, pois as oportunidades não faltaram.
Mesmo com as alterações de Spalletti, com a entrada ao intervalo de Francisco Conceição, o arranque da segunda parte confirmava a superioridade do Benfica no jogo. Interrompida abruptamente no fim dos primeiros 10 minutos quando, à boa maneira italiana, na primeira vez que a chegou à outra grande-área, marcou. O primeiro, e decisivo, golo da partida.
A Juventus acumulava então erros defensivos, uns atrás do outros, que deixavam Spalletti de mãos na cabeça, e que o Benfica desperdiçava ao mesmo ritmo. Mas marcava ao primeiro erro do Benfica: Tomás Araújo cedeu à pressão de Jonathan David e Thuram, que rematou junto ao poste direito de Trubin, que também não foi alheio ao erro, com a bola a passar-lhe por baixo da mão.
Pouco mais de 5 minutos seria o segundo. Se o primeiro já fora difícil de engolir, este é simplesmente inaceitável ao nível da Champions, com Aursnes a perder o duelo com McKennie e, a partir daí, com (de novo) Jonathan David, os dois, contra seis do Benfica, a entrarem na área como faca quente em manteiga, e McKennie a entrar até pela baliza dentro.
A ganhar por 2-0, e com meia hora para jogar, à Juventus bastava continuar a ser italiana. E poderia até ter marcado o terceiro, quando o poste e Trubin evitaram um auto-golo da Tomás Araújo, naquele período desnorte que o golo inicial abriu. Mourinho trocou então Schjelderup e Sudakov por Ivanovic e Enzo, adiantando Leandro Barreiro, voltou a comandar o jogo, e voltou até a criar oportunidades para a reviravolta no resultado.
Mas nem um golo conseguiu marcar. Pode sempre falar-se de sorte e azar. A sorte que a uns nunca vira as costas, mas que normalmente falta ao Benfica. A bola no poste, é azar. A escorregadela de Pavlidis que o leva a falhar o penálti, é falta de sorte. Mas não se pode deixar de falar de competência.
Se naquelas duas ocasiões faltou obviamente sorte, em todas as restantes faltou competência. A decidir, a finalizar e, evidentemente, a defender.
O Benfica fez praticamente o dobro dos remates da Juventus. Teve o dobro dos cantos. Criou bem mais oportunidades de golo. Teve mais bola, fez mais passes, e acertou bastantes mais. Fez menos faltas. Fez tudo melhor, mas não foi mais competente.
Foi essa a marca maior que o Benfica deixou nesta Champions. Raramente foi competente. A falta de competência é, de resto, o drama deste Benfica!