La décima
Por Eduardo Louro

Quem puder comparar esta segunda final da Champions de Lisboa, agora no Estádio da Luz, com a pimeira, de há 47 anos no Estádio Nacional, fica com uma ideia do que é o negócio de futebol. A UEFA - como a FIFA, nisso são a mesma coisa - mostrou em Lisboa o extraordinário negócio em que transformou o futebol. E a excelência dos recursos que coloca ao serviço da promoção dos grande eventos de futebol que gere.
Repare-se que da infindável publicidade estática do Estádio da Luz nem uma única sombra restou. Dir-se-á que não podia ser de outra maneira, mas então o que dizer quando as próprias garrafas de água que os jogadores utilizaram não tinham sequer rótulo?
Mas essa é a dimensão do negócio a que o futebol chegou. O fantástico evento que a UEFA criou e a que chamou Lisbon 2014 foi muito mais que o jogo de futebol. Mais que um jogo em que o hino da Champions foi cantado ao vivo, pela voz da Marisa, de que poucos terão dado conta. E muito mais que um jogo que ficará na História do futebol europeu e mundial. Porque, sem que tenha sido um grande jogode futebol, foi uma dramática e emocionante final. Porque foi a primeira, e dificilmente repetível, final da prova máxima do futebol de clubes disputada num derbi. Mas porque acima de tudo é lá décima. A há muito ansiada e e há muito adiada décima Taça dos Campeões Europeus desse colosso do futebol mundial que se chama Real Madrid!
Até aos 93 dos 95 minutos que o jogo teve, o Atlético de Madrid esteve na frente do marcador, aproveitando um erro indesculpável de Casillas quando faltavam 10 minutos para o intervalo. Defendeu essa vantagem como pôde, usando na perfeição o fantástico trunfo de Simeoni: uma equipa com 11 Simeonis, uma equipa toda de jogadores à imagem do jogador que foi. No bom e no menos bom...
Acontece que no futebol as melhores equipas serão sempre as que tiverem os melhores jogadores. E quando são os melhores dos melhores... O Atlético de Madrid foi, durante toda a época, mais equipa que o seu rival de Madrid. E mais equipa do que o Barcelona, mas não é melhor equipa que o Real Madrid. Nem que o Barcelona.
E por falar em melhores, dos três portugueses em campo, o Tiago foi o melhor, mesmo que CR 7 tenha feito mais um golo - o quarto e último - e fechado a sua participação nesta edição da Champions com a fantástica e porventura inultrapassável marca de 17 golos. Mas não foi o melhor dos também três ex-Benfica, esse foi Di Maria... Que foi mesmo o melhor de todos, the man of the match!
Por maior que seja a simpatia para com uma equipa que de simpática não tem nada, mas que tem sempre aquele plus do encanto dos que com menos fazem mais, foi com toda a justiça do futebol que o Real Madrid ganhou la décima. Foi melhor em duas das três partes do jogo: bem melhor na segunda parte e muito melhor no prolongamento!