Lixo
Por Eduardo Louro
A Fitch mantém o rating da República em BB+. Na gíria, lixo. E explica: pela trajectória da dívida e porque a economia portuguesa não cresce; porque não é competitiva e as empresas estão sobreendividadas!
Certa ou errada, é esta a explicação que dão para não rever a classificação de risco que teimosamente persegue a economia portuguesa. Bem ou mal, é desta forma que as agências de rating ratificam o milagroso desempenho que tantos elogiam.
Com o modo "que se lixem as eleições" há muito desligado, e com o botão do turbo eleitoral no máximo, Pedro Passos Coelho, lá longe, do Japão, dá-nos outra interpretação. Não é expectável - garante - que as agências de rating revejam as suas classificações de rating antes das eleições, pela simples razão que, primeiro, querem saber quem as ganha. Querem saber se tudo o que de bom tem sido feito - mas que não foi suficiente para as fazer alterar uma única posição, digo eu - vai ter continuidade. Diz o primeiro-ministro, com o maior descaramento deste mundo, que não se passa nada. Ganhe ele as eleições, e volte ele a formar governo, e as agências de rating virão imediatamente a correr atribuir o AAA+ a Portugal!
E diz isto apesar de a própria a Fitch ter na circunstância referido não esperar que as próximas eleições legislativas tragam "um desvio relevante de política", uma vez que "os dois principais partidos (PSD e PS) são pró-europeus", e que "não há partido populista ou antieuropeu que tenha atraído apoio significativo nas sondagens de opinião".
É isto que nos espera, todos os dias, ao longo dos próximos seis meses. É com estas agressões à nossa sanidade mental que teremos diariamente de conviver. Se até aqui valeu tudo, daqui para a frente não há limites para o populismo, para a demogagia, para o descaramento, para a falta de vergonha... Para o lixo que se vai amontoando!