Luanda Leaks

Num fim de semana cheio e intenso - também desportivamente, mas esse não é para aqui chamado -, que parecia ter o seu ponto alto nas directas do PSD, onde a confirmação de Rui Rio não parece nada acabar com o clima de guerrilha interna há muito instalado no partido, o melhor estava reservado para o fim. É normalmente assim!
A divulgação dos dados encontrados pela investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas, já conhecida por Luanda Leaks, acabou por fechar o fim de semana lá bem em cima. Não é que nunca tenhamos ouvido falar em qualquer das situações agora reveladas; a maior parte do que acaba de ser revelado não é novidade, e muito menos surpresa. Mas uma coisa é a percepção pelo rumor, outra é a revelação de dados investigados e confirmados, com nomes, números e datas. Mesmo que, como já vimos noutras investigações do mesmo Consórcio, e noutros Leaks, muita coisa acabe por dar em pouco mais que nada.
Para já, Isabel dos Santos já não vai a Davos. Foi-lhe retirado o convite. E provavelmente terá que rapidamente se afastar de todos investimentos em que o seu nome não esteja escondido atrás de complexas e espessas teias de holdings e off-shores.
Até porque não foi apanhada desprevenida. Percebe-se isso quando, uma mulher que sempre fugiu da exposição mediática, que nunca se deixou aproximar de jornalistas, e que fez de fotógrafos verdadeiros inimigos, reage de imediato no Twitter, mesmo que recorrendo a velhas e gastas acusações de racismo e colonialismo. Como já se tinha percebido pela entrevista à RTP, a primeira de toda a sua vida, difundida na passada quarta-feira, onde nos deixara com uma ideia de fuga para a frente com o alto patrocínio da televisão pública portuguesa.