Mais uma entrevista
Por Eduardo Louro
Com a entrevista, chamemos-lhe assim, que a SIC ontem transmitiu, José Sócrates já vai na sexta. Negada autorização para a primeira, ao Expresso, Sócrates – e os respectivos órgãos de comunicação social – deixou de a solicitar e passou ao facto consumado. E o(s) seu(s) advogado(s) também não pára(m). Não há semana em que não apareça(m) nas televisões e nos jornais!
O tom é sempre o mesmo e o objectivo é um e único: pôr em causa a Justiça e fragilizar a investigação. E se tem a vantagem de ir servindo de contraponto às notícias que vão saindo, todas – de forma manipulada, porque muitas não têm nada a ver com isso – dadas como fugas de informação em violação do segredo de justiça, tem a desvantagem de justificar um dos fundamentos – perturbação da investigação – da prisão preventiva, que legitimamente contesta. Se isto acontece com ele preso facilmente se imagina o que aconteceria com toda a liberdade de movimentos!
Porque nunca nada é esclarecido, há apenas a preocupação de lançar a confusão para esconder o que realmente são fortíssimas anormalidades. Sócrates nunca se preocupa em explicar como é que uma pessoa pede emprestado a outra, que empresta, volumes anormalmente elevados de dinheiro para manter padrões de vida – entre outros indicadores com motorista pessoal – para que não tem rendimentos. Nem em explicar como é que tenciona reembolsar montantes como os que estão em causa. Limita-se a dizer que isso não é crime.
De facto não é. Mas é inquestionável indício que esconde crimes que têm de ser investigados e provados!