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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Más sensações

Não sou muito dado a superstições, nem mesmo na bola. Mas, já dizem os espanhóis que não acreditam em bruxas, "pero que las hay, las hay". Ainda não tinha aquecido a cadeira e chegava a primeira sensação de que a coisa não ia correr bem: o voo da águia Vitória não acabou limpinho, e isso não dá boas sensações. Logo a seguir, à entrada dos jogadores, Trubin vestido de azul, também não.

A águia Vitória lá foi recolhida do relvado, e dela não se voltou a dar conta. Já de Trubin ... bem pelo contrário. E não há duas oportunidades para uma primeira boa impressão!

Cantámos "ser do Benfica ... "  até esgotar as gargantas naquele "saltitantes" final. Ouvimos o hino da Champions, e cumprimos, os 61 mil, o minuto de silêncio pelas vítimas do sismo em Marrocos, e das cheias na Líbia. Houve um que não teve paciência, nem civismo para tanto, e soltou um "Benfica, caralho" para cima daquele silêncio.

A bola de saída pertenceu ao Salzburgo, e naquele primeiro minuto apenas dois jogadores do Benfica tocaram na bola. Um para interceptar um cruzamento, e deixá-la para um adversário à entrada da área, e outro para levar com ela a desviá-la para canto. No canto, Turbin vai para socar a bola com as duas mãos (!) mas, em vez de acertar na bola, acertou num adversário. Penálti. Encarregado de o marcar, Karim Konaté atirou bem por cima da baliza.

Afinal poderia ser que as más premonições se não confirmassem. Não foi assim, e esse foi o único momento de sorte do Benfica no jogo. E viu-se de imediato que não seria mesmo assim. O Salzburgo trazia a lição bem estudada, e viu-se como tinha preparado bem o antídoto para o futebol do seu ex-treinador. Posicionamento táctico irrepreensível, a secar completamente a fonte do futebol benfiquista. Aquilo não era bem a mesma coisa que temos visto nos jogos desta época, quando os adversários entram em campo a pressionar e a correr como loucos para entupir o caudal de jogo do Benfica. O que já aqui tenho referido como o primeiro milho para os pardais, que  rapidamente enxotam. Não aquilo não era nem pressão alta, nem tinha correrias. Era posicionamento puro. Aquilo não rebentava os jogadores da equipa austríaca, engasgava colectivamente o Benfica, e baralhava individualmente boa parte dos jogadores, em especial Bah, esta época simplesmente desastrado.

Mesmo que se percebesse que aquilo não exactamente "o primeiro milhos dos pardais", e ainda assim, poderia até ter sido. Bastaria que a sorte se não tivesse esgotado no penálti falhado, e que a arbitragem turca não tivesse sido à portuguesa. Aos 10 minutos não entendeu que era penálti o que realmente um corte com a mão de um defesa do Salzburgo dentro da área. E começou aí o autêntico festival de dualidade de critérios que durou o jogo todo. A incrível permissividade a tudo o que os jogadores da equipa austríaca fizessem. Faltas, perdas de tempo sucessivas, fosse a marcar cantos, desinteressados da bola, e a atravessar o campo a passo, fosse o guarda-redes a repôr a bola, fosse nas substituições, fosse no que fosse.

Aos 12 minutos, a bola rematada por João Mário poderia ter entrado. Mas o poste não deixou. No lance imediato Bah - sempre ele - falha mais um passe e entrega a bola a um adversário. Ao tentar cruzá-la para a área bate no próprio Bah, sobe, sobe e desce até cair sob a barra. Quando António Silva a tenta interceptar, o desvio na barra acaba a encaminhá-la para a mão do defesa do Benfica, em cima da linha de golo. Cartão vermelho, e penálti. Desta vez sem a sorte do outro, e o Benfica ficava a perder e com um jogador a menos.

Roger Schemidt entendeu tirar João Mário - não terá sido a melhor opção, mas nem nisso o treinador surpreende ninguém - para repôr a defesa, com Morato. Se já estava a ser difícil, mais ficava ainda.

Ainda assim os jogadores foram valentes, conseguiram jogar e ganhar ascendente no jogo. Depois daquele primeiro quarto de hora tenebroso, com 10, o Benfica chegou a jogar bem e chegou ao intervalo, com apenas 5 minutos de compensação depois de todo o tempo perdido pelos autríacos, e de dois penáltis, a justificar outro resultado, com três boas oportunidades de golo. Valeu aos austríacos o seu guarda-redes, que se revelou inspiradíssimo e inultrapassável. E a sorte. Quando estava batido havia sempre o poste, onde Di Maria voltaria a certar, aos 25 minutos.

Era evidentemente difícil, com 10, manter aquele domínio na segunda parte. E da sorte já nada havia para esperar. Mas o Benfica regressou, com os mesmos 10, e a dominar. Di Maria deixou morrer uma jogada em que esteve isolado, e gritou-se golo de Musa, depois de um grande trabalho na área. Schlager, é este o nome do guarda-redes que tinha dado jeito estar do outro lado, fez mais uma defesa impossível. Imediatamente a seguir, Morato, que tinha estado a alto nível, saiu a jogar sem qualquer protecção nas suas costas, e perdeu a bola. Aursenes teve ainda oportunidade de interceptar o primeiro passe, mas também falhou, e ficaram dois jogadores isolados frente ao sempre nervoso e intranquilo Trubin. 

De novo, depois de mais uma grande oportunidade para marcar, o Benfica sofria o segundo golo. O resto do jogo foi mais do mesmo. Os jogadores do Salzburgo a queimarem tempo, o guarda-redes a defender tudo (mais duas defesas de golo, uma negando-o a João Neveso, e outra a Otamendi (num espectacular remate de bicicleta); o árbitro a fazer vista grossa a faltas claras, a amarelar os jogadores do Benfica pelos protestos, e provavelmente a perdoar-lhes mais um penálti (aos 70 minutos).

Schemidt não mexia na equipa, e nas bancadas gritava-se por Neres. Que entraria já perto da entrada no quarto de hora final, com ... Chiquinho. Substituindo Di Maria, já há muito esgotado, e Kokçu. As duas restantes substituições chegariam já bem perto do final, com Tengsted (o Cabral, dos vinte e tal milhões, que vinha substituir o Gonçalo Ramos, é a última das três opções para ponta de lança!) e Tiago Gouveia (em estreia absoluta num jogo destes!), a substituírem os esgotadíssimos e massacrados Musa e Rafa.

E assim abriu o Benfica a Liga dos Campeões desta época. A perder, em casa, o jogo com o adversário menos cotado do grupo, que se sabe dos mais equilibrados. A perder, em casa, o jogo que não havia dúvidas que ganharia. Depois do que fez na passada!

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