Max Verstappen - bi-campeão

Max Verstappen sagrou-se hoje em Suzuka bi-campeão do mundo de Fórmula 1, depois de ter vencido o Grande Prémio do Japão, ainda com quatro corridas por disputar.
Este segundo título do holandês, ao contrário do primeiro, no ano passado, não sofre a mínima contestação. Creio que nunca ninguém tinha ganhado com tamanha vantagem, nem nunca um campeonato se tinha decidido com tanta antecedência. Ganhou o melhor piloto, com o melhor carro e a melhor equipa. Que, como se tudo isso não bastasse, contou com ainda todos os favores dos safety car, em todas as suas variantes. Com todo o tipo de influências da poderosa máquina da Red Bull, inclusivamente com uma segunda equipa, a Alpha Tauri, sempre disponível para manobras tácticas de favor. E sempre, ao longo de toda a época, com a desastrada gestão das corridas da Ferrari, o único carro que poderia fazer frente ao Red Bull.
Ainda assim, e pesem todas as circunstâncias, e todo o mérito do piloto e da equipa, e mesmo sendo a conquista do título uma mera questão de tempo, esta conquista antecipada não está isenta de polémica.
A chuva, que caiu durante todo o fim de semana em Suzuka, levou à interrupção da corrida poucas voltas, e cerca de 10 minutos, depois do arranque, levando-a para o limite das três horas de duração previsto nos regulamentos. Os carros regressaram à pista com pouco mais de meia hora para preencher a corrida, que ficava reduzida a 45 minutos. Os pontos em disputa são atribuídos em função do número de voltas realizadas.
No fim das três horas de corrida, e cumpridas 28 das 53 voltas do GP, Verstappen cortou a meta na frente, com larga vantagem sobre o Ferrari de Leclerc, que trazia colado o Red Bull de Perez. Na última volta, na disputa pelo segundo lugar, Leclerc saira de pista e cortara a chicane, mantendo-se à frente de Perez. Admitia-se que fosse penalizado, e que viesse a perder a segunda posição. Como viria a suceder, com uma penalização de 5 segundos. A pontuação a atribuir - no caso 75% dos pontos totais em disputa, por terem sido cumpridas metade das voltas -, e mesmo com o terceiro lugar de Leclerc, não era suficiente para Verstappen garantir desde logo o título, como ele próprio e a equipa reconheciam.
Pouco depois, perante a surpresa geral, a FIA anunciava a atribuição da pontuação total, com o argumento que os regulamentos tinham sido alterados, e que, agora, atribuição parcial dos pontos apenas acontece se a corrida for interrompida sem que seja reiniciada.
Estranho não é que esta alteração seja absurda, porque de absurdos estão os regulamentos cheios. Estranho é que ninguém tivesse conhecimento dessa alteração.
Max Verstappen nem mereceria isto. Mas é assim, nem na conquista de um título indiscutível, a vitória de Verstappen deixa de ser assombrada.