Medo

O covid-19 tem mantido a sua marcha galopante, arrastando consigo à mesma velocidade uma vaga de medo que hoje condiciona claramente o mundo, com o cancelamento de uma imensa panóplia de acontecimentos mundiais, e com impacto significativo em padrões económicos e até sociais.
A OMS já anunciou que ninguém está preparado para enfrentar o vírus, e que a pandemia está iminente. As infecções espalham-se pelo mundo e, na China, no epicentro de todo este terramoto, tudo saiu já fora de controlo.
O que se está a passar por estes dias na China poderá vir a passar-se dentro de pouco tempo um pouco por todo o mundo: um autêntico círculo de destruição da capacidade de resposta das estruturas de saúde, onde o vírus surge como uma espécie de íman trágico, a captar e destruir recursos que não só não o conseguem combater, como lhe abrem caminho à sua propagação ao faltarem, e desprotegerem, todos os restantes cuidados básicos e gerais de saúde.
Cenário mais medonho é difícil, e sabe-se que, em circunstâncias críticas desta natureza, tão - ou mais? - importante como controlar o mal é controlar o medo. Sabemos também que as ditaduras se saem melhor nessas tarefas, lidar com o medo é a sua especialidade. Por isso mais medo ainda com o medo que claramente de lá vem.
O regime chinês fez tudo para controlar tudo. Silenciou, como só estes regimes sabem silenciar. E mesmo assim, provavelmente, nunca da China se soube de tanto medo como agora...