Montanha russa
O Benfica saiu hoje de Famalicão com uma vitória convincente, por expressivos 4-1, construída em dois quartos de hora - os primeiros de cada uma das partes. Entrou bem no jogo, e entrou bem na segunda parte.
Quer isto dizer que a exibição não foi tão convincente quanto o resultado?
Exactamente!
Mas não quer dizer que não tenha sido uma vitória merecida. Porque o foi, absolutamente. Mas não foi um jogo consistente, como não têm sido a maioria dos jogos do Benfica. Desta vez - do mal o menos - depois de perder o controlo do jogo logo que se esgotou o primeiro quarto de hora, e de ter rapidamente chegado ao 2-0, o Benfica conseguiu recuperar a superioridade sobre o adversário. E, verdade se diga, mesmo depois de a voltar a perder no fim do primeiro quarto de hora da segunda parte, nunca mais a perdeu de forma definitiva. Claro que, a isso, também o resultado ajudou. O 4-1 no fim desse quarto de hora já era decisivo para o comportamento das duas equipas.
O Benfica entrou muito bem no jogo, como de resto tem acontecido noutras ocasiões. E Darwin - com mais um hat-trick - até parecia confirmar o evolucionismo, teoria que o próprio parecia apostado em negar. O primeiro golo foi de perfeição técnica. Tudo - recepção, controlo e remate - foi de grande primor técnico. Que, não sendo exactamente o seu maior atributo, era também onde mais se notava a falta de evolução num jogador com as suas condições, incluindo a sua idade. Esperemos que não haja regressão.
Depois caiu, como tantas vezes acontece, e permitiu que o Famalicão fosse crescendo. E que tivesse relançado o jogo, e aberto o resultado, com o golo, ainda antes da meia hora. Só não foi pior porque Otamendi e Vlachodimos lá foram evitando males maiores.
Ao intervalo, Jorge Jesus entrou no jogo das substituições. Mais uma vez não tinha por onde correr grandes riscos na escolha dos jogadores a tirar do campo. A probabilidade de acertar era muito grande. Escolheu Seferovic e Diogo Gonçalves, que eram mesmo os piores entre os piores. O problema costuma estar nos que entram. E se para o lugar do lateral direito não havia outra opção que Gilberto, ainda por cima moralizado pela exibição da passada quarta-feira, no jogo da Champions, a de Taarabt para substituir Seferovic deixava-nos os cabelos em pé.
Correu bem, desta vez. E o marroquino esteve nos dois golos do início da segunda parte - o terceiro, de Rafa e o quarto, do hat-trick. de de Darwin. Já a segunda vaga de substituições, ainda a 20 minutos do fim, teve por único objectivo resguardar os titulares - Rafa, Grimaldo e João Mário. Pizzi, e não virar o jogo. As opções por Pizzi, Gil Dias e Paulo Bernardo poderiam ser as mais naturais, nessas circunstâncias. Pizzi e Paulo Bernardo porque são jogadores que têm de contar, e Gil Dias porque não há outro lateral esquerdo. Mas acabaram por acelerar a queda da equipa, e a voltar à fase descendente da montanha russa que é o futebol da equipa ao longo de um jogo.
Nada de muito novo, portanto!