Não há volta a dar
Duas figuras - melhor, uma figura e um órgão - que deviam permanecer fiéis ao princípio da independência, insistem em interferir sempre que há eleições em Portugal. Refiro-me ao Presidente Marcelo e ao Ministério Público.
Marcelo, enquanto presidente, não resiste. Arranjou um acaso, num semáforo na Praça de Espanha, para se encontrar com Teresa Leal Coelho durante a campanha eleitoral para numas autárquicas; outro, na Feira do Livro de Lisboa, para se encontrar com Carlos Moedas durante a campanha eleitoral, de novo, nas autárquicas; outro para Sebastião Bugalho, na Ovibeja, desta vez durante a última campanha para o Parlamento Europeu; e outro ainda, na FIL, com Luís Montenegro durante a campanha para as legislativas, este falhado pelo imponderável de uma lata de tinta de um manifestante ter obrigado o candidato a primeiro-ministro a sair para mudar de fato.
Desta vez, quando mais recato lhe era exigido, por se tratar das eleições que decidirão o seu sucessor, resolveu marcar um Conselho de Estado precisamente para o meio da campanha eleitoral. Um Conselho de Estado remendado, e justamente com dois dos seus membros na disputa eleitoral.
O Ministério Público não é menos certinho. Se não há festa nem festança sem a Dona Constança, não há processos eleitorais sem buscas, inquéritos e outros que tais!
Desta, foi a vez de anunciar que está a investigar ajustes directos aprovados por Gouveia e Melo enquanto comandante Naval da Marinha, entre 2017 e 2020.
Não há mesmo forma de dar a volta a isto!